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A rotina de uma mulher taxista

Queila Jorge, HIstórias de Taxista na Bahia
Queila Jorge, na praça há 16 anos, conta os desafios enfrentados pelas mulheres na profissão - Foto: Helton Carlucho/Ei Táxi

Segundo a pesquisa Perfil do Taxista, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), 97% dos condutores de táxi do Brasil são homens. O levantamento feito em 2016 confirma a profissão como um espaço majoritariamente masculino.

Mas, apesar do estigma, há mulheres que se afirmam nesse universo. A soteropolitana Queila Jorge (A-2554) faz parte desses 3% que escolheram atuar como taxista. Casada e mãe de uma filha, ela está há 16 anos na profissão.

No mês em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, o Ei, Táxi conversou com Queila sobre as suas experiências no meio da classe. Ela contou um pouco da sua rotina e das dificuldades e desafios enfrentados no dia a dia.

O COMEÇO – Filha de taxista, Queila deu seus primeiros passos na profissão para “ganhar um extra”, e dirigia o táxi do pai aos finais de semana. “Ele sempre teve táxi, está na família desde que eu nasci”, explica. “Eu cresci no meio da realidade do taxista e via que tinha uma boa rentabilidade. Após tirar a CNH, meu pai me dava o carro e eu ia rodar para fazer um extra”, lembra. Mas, com o passar do tempo, o “extra” acabou virando profissão. “Os empregos que eu vinha conseguindo não pagavam tão bem; trabalhava bastante e não ganhava tanto. E no táxi, eu ganhava muitos mais”, revela o motivo de ter migrado para a área. Ela conta também como atuou nos primeiros dias. “Inicialmente rodava na rua, sem rádio. Até que fui convidada para fazer parte da Ellite Táxi”, explica sobre como entrou na empresa que está até hoje.

Queila destaca que no início teve que vencer diversas barreiras, desde a conquista da clientela até a desconfiança dos seus colegas.  Ela conta que no início foi alvo de comentários preconceituosos por estar em uma profissão considerada masculina. “Muito preconceito, na própria classe e fora dela. Na época que eu entrei acontecia bastante”, pontua, destacando que com trabalho e dedicação conquistou seu espaço na profissão. “Pelo meu atendimento, pelo meu veículo, pela pontualidade, eu tenho uma carteira de cliente boa. Pelo meu cuidado”. Hoje, ela é requisitada, inclusive, por clientes que preferem ser conduzidos por uma mulher e, apesar da crise que afeta a categoria, tem conseguido manter o número de corridas.

Questionada sobre como o anda o mercado para o taxista, ela diz que já viveu dias melhores. “Hoje, por conta da crise, dos aplicativos, a nossa renda caiu bastante. Posso até dizer que caiu drasticamente”, lamenta. Ainda segundo ela, se tivesse que entrar na profissão hoje em dia “não encararia”. “Se você não tiver uma carteira de clientes boa, como é o meu caso, e for depender da praça em si, você vai passar dificuldades”, alerta.

FAMÍLIA – Casada há 10 anos e mãe de uma menina de 1 ano e 9 meses, ele diz que divide bem a rotina entre o trabalho e a família, e comenta que precisou diminuir a jornada após o nascimento da filha. “Antes, eu trabalhava de sexta para sábado, de sábado para domingo”, lembra. “Quando eu fiquei grávida, no nono mês, a médica pediu que eu não dirigisse mais, por causa de estresse e possíveis acidentes. Foi quando eu parei. Eu tive ela [a filha] e fiquei mais quatro meses, ou seja, 5 meses fora da praça”, explica. “Hoje eu a deixo na creche às 7h e pego às 18h, porque ela está em período integral. Após esse horário, eu me dou para ela. E já não trabalho mais sábado, domingo e feriados. Deixo de ser a taxista e passo a ser a mãe. E assim a gente vai levando a vida”, conta. Questionada se se sente confortável com a rotina, ela não hesita: “Sim! Extremamente confortável”.

Finalizando a conversa, Queila encoraja outras mulheres que tem o desafio de trabalhar e cuidar da família. “Vão em busca dos seus sonhos, nunca deixem para trás e nunca deixem ninguém podar ele. Se vocês querem ter um filho hoje e pensa: será que eu vou ser uma boa mãe, será que eu vou ter tempo para ser mãe, eu digo: Sim! A gente tem tempo para tudo”.

Por Helton Carlucho

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