Em tempos de pandemia, não custa lembrar que tudo isso é culpa única e exclusiva do próprio homem. Predador por excelência, sem registro de outro igual na história da terra, evoluiu e escreveu sua história destruindo e violentando a natureza, sem dispensar, claro, seus próprios semelhantes. Esqueceu-se de um pequeno detalhe. A Mãe Natureza, dadivosa ao extremo, também tem seus limites. E a Terra, como ser vivo que é, tem seus próprios mecanismos de defesa. Para completar, tem-se que o tempo na Natureza não é medido em dias, anos ou séculos, simplesmente não há como quantificar. Mas o homem, arrogante, ambicioso, não aprende. Persiste no desiderato de destruição.
Vez por outra, a Natureza reage e dá um sinal de alerta. Vem de longe. Nos tempos bíblicos, o Dilúvio. Na sequência, grandes erupções vulcânicas, terremotos, tsunamis, maremotos, secas, pragas.
E o homem, insensível, segue sua jornada entre guerras, invasões, genocídios, desmatamentos, queimadas, tudo em nome de um desenvolvimento que torna o ar irrespirável, as águas poluídas e os rios secos.
Impávida, a Natureza manda novas mensagens, agora se utilizando de seres minúsculos, invisíveis aos olhos, as bactérias e os vírus que se espalham e se sucedem, acovardando, matando. Na Idade Média, a peste bubônica; a seguir um sem-número de outras, de nomes portentosos e resultados devastadores, tais como varíola, tifo, cólera, febre amarela, tuberculose, malária, sarampo, e as gripes espanhola, asiática, de Hong Kong, suína.
E assim chegamos ao atualíssimo coronavírus, nome genérico do vírus da COVID-19, sob muitos aspectos ainda uma incógnita que desafia cientistas e pesquisadores de todo o planeta. Como e onde vai terminar? Ah, quem souber, morre…
Mas é nos momentos de sofrimento e dor, silenciosos, nas ruas e nas unidades de atendimento que, persistentes e dedicados, se revelam os heróis. Não ostentam títulos nem cargos, tampouco fazem uso de armas ou tropas aguerridas. Aliás, esses tais, se apequenam e se acovardam. Quem toma a linha de frente, armados de coragem, técnica, competência e amor ao próximo, são os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos), os responsáveis pela segurança e pela limpeza (tais como policiais e garis). Esses, sim, estão expostos e, na primeira linha de combate, são os primeiros a cair. Tudo em defesa da humanidade – que ironia – dos responsáveis pela pandemia.
A pergunta fica no ar: quem os defende? Já que o homem é frágil e incapaz, será que Mãe Natureza, do alto da sua generosidade, cuidará deles, refreando a sanha da voraz pandemia?…
Alcir Santos
Aposentado





1 comentário em “E Quem os Protege? – Por Alcir Santos”
Um belo e chamejante grito de alerta
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