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Um Museu Necessário e Oportuno – Por Alcir Santos

Notícias recentes dão conta que um casarão da década de 1920, na região central de Belo Horizonte, abandonado há mais de trinta anos, vai ser reformado para funcionar como “Museu do Sexo das Putas”. O objetivo é contar a história do local e da prostituição na cidade. A iniciativa da Associação das Prostitutas de Minas Gerais teve apoio da Fundação Municipal de Cultura, eis que a prefeitura incluiu o projeto no seu Plano de Reabilitação do Hipercentro.

Evidente que tal notícia provocou reações diversas, inclusive a repulsa de moralistas em geral e religiosos em particular. Nada que surpreenda, afinal a prostituição é uma atividade socialmente estigmatizada e o que não faltam são “sepulcros caiados”. Nem sempre foi assim. Registros históricos mostram que, nas antigas civilizações, como a suméria, a fenícia, a grega e a romana, a prostituição era praticada em santuários dedicados a deusas como Afrodite, Astarte e Ishtar –– uma forma de aproximação entre os humanos e a divindade por meio dos corpos. Cabe, a propósito, destacar que, nos achados arqueológicos de Pompéia, especialmente os preservados na Sala Secreta do Museu Arqueológico de Nápoles, há um rico acervo, em forma de gravuras, quadros e esculturas, comprovando a importância e sacralidade da atividade. A título de exemplo, em Erice, na Sicília, os elímios construíram um templo em louvor da deusa da fecundidade. Nesse mesmo local, os fenícios cultuaram Astarte; os gregos, Afrodite; e os romanos, Vênus. Ao local acorriam, anualmente, pessoas de toda parte porque ali se praticava a prostituição sagrada. De se destacar, que com o advento do patriarcado, o poder feminino restou substituído pelo masculino. As mulheres passaram a condição de propriedade dos homens; o corpo e a sexualidade femininas, depreciados e menosprezados. Mas aquelas voltadas para essa delicada atividade, das mais complexas, continuaram na labuta desgastante, sofrendo todo tipo de agressão. Porém, livres e independentes, essas mulheres são profissionais dignas que vem prestando, ao longo da história da humanidade, inestimáveis serviços, não só de ordem sexual: têm sido ouvintes atentas, dedicadas mestras, conselheiras e orientadoras. Por tudo isso e muito mais, merecem respeito. Sempre.

(Bem a propósito, cabe destacar, na obra de Jorge Amado a presença forte e decidida de prostitutas, mulheres de escola, como Tieta, Quitéria e Tereza).

Portanto, a iniciativa dos mineiros merece aplausos. Faz uma séria homenagem a tais profissionais e preserva, para curiosos e estudiosos, valioso conjunto de informações históricas, com fotos raras, documentos e apetrechos diversos.            

Alcir Santos

Aposentado

[email protected]

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1 comentário em “Um Museu Necessário e Oportuno – Por Alcir Santos”

  1. José Wellington Costa Oliveira

    Soterópolis é surpreendente!! A prostituição, sexualidade como instrumento de aproximação… Vista sob a ótica da cultura com certeza contribuiu em muito e os povos agradecem!! Afrodite, Deusa do Amor fez a sua parte. Diferente e educativa edição. Sucesso sempre Dr. Alcir!!

Comentários encerrados.

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