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O Homem que Amava os Cachorros – Um livro para não esquecer

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Imagem: reprodução de www.livrariacultura.com.br

 

Por Alcir Santos

 

“Este é um livro de ficção que narra fatos acontecidos. Os personagens tiveram existência real e são apresentados com seus nomes verdadeiros. Trata do isolamento, da perseguição e do assassinato de Leon Trotsky (1879-1940), um dos principais líderes da Revolução Russa, por parte de agentes de Joseph Stalin (1879-1953), secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética. Não é uma tese, mas evidencia ideias que são objeto de encarniçados debates há pelo menos sete décadas.” – Gilberto Maringoni, Prefácio.

 

Sem dúvida “o Homem que Amava os Cachorros”, de Leonardo Padura, Boitempo Editorial, SP, 2014, tradução de Helena Pitta, com suas 589 páginas, tem tudo para ser um dos livros — senão o — mais importantes do século XX. Um clássico que consumiu mais de cinco anos de pesquisas ao fim das quais estava o autor pronto para começar a escrever sua irretocável mistura de romance histórico, político e policial; sobretudo uma bela e valiosa digressão sobre a condição humana. O estilo, a técnica, a forma e as histórias que se cruzam e entrecruzam, no tempo e no espaço, são as razões que prendem o leitor e o conduzem, página por página, cada vez mais atento, até o final.

 

O enredo se desenvolve em três vertentes: a) Trotsky, a partir da ascensão de Stalin e seu périplo pelo mundo (Turquia, França, Noruega e México) até ser morto na casa de Coyoacán; b) Ramon Mercader, desde sua infância numa família destroçada, mãe ativista e pai rico, até o fim, em Cuba, tomado por um câncer que poderia ter sido causado por contaminação proposital de tálio; c) Ivan, o cubano, narrador e elo de ligação, (alter ego de Padura?), que se torna amigo de um Mercader já em passo acelerado para a morte e que lhe narra a sua versão da história, inclusive passando documentos.

 

Indiscutivelmente uma excelente oportunidade para o leitor aclarar fatos que marcaram a história no século XX e que, à época, se tornaram conhecidos com as versões tisnadas pelas ideologias que dividiam o mundo e garantiam a preservação de crimes inomináveis, praticados em nome da liberdade e do bem estar da humanidade. Talvez essa tenha sido a única fase da história da humanidade em que milhões foram chacinados não em nome de deuses, mas de credos político-econômicos.

 

Padura não deixa por menos. Ao tempo em que faz pesadas críticas aos regimes cubano e soviético, relata as duras condições de vida naqueles países e faz interessantes análises das relações de Hitler e Stálin, não por acaso dois dos maiores genocidas da história. Aponta as tratativas deles nos primórdios da II Guerra e nos territórios invadidos no alvorecer do conflito, além da influência exercida na guerra civil espanhola.

 

Vale ressaltar que Padura escreve de forma quase leve, escorreita. Faz crítica sem fanatismo. Posiciona-se mais como um observador. Longe dele a virulência e a agressividade de Reinaldo Arenas. Cada um no seu estilo. Ambos excelentes.

 

Ah, claro que Rivera e Frida, como tantas outras personagens, estão presentes nas páginas desse alentado “O Homem que Amava os Cachorros”.

 

Para encerrar, excerto da crítica do El Mundo: “Um excelente romance sobre a condição humana e sobre nosso mundo, que vai além da história narrada”.

 

Alcir Santos – Cronista, apaixonado por leitura

 

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