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Especialista acredita que a desregulamentação pode tornar o táxi mais competitivo

O administrador e especialista em Gestão de Negócios de Táxi e Licitações, Hérverthon Lúcio, conversou com o jornal Ei, Táxi. O profissional, natural de Brasília, que presta consultorias por todo o país, esteve em Salvador, no dia 8 de junho, quando realizou palestra em evento realizado pela Elitte Táxi. Entre os assuntos tratados na entrevista, estão o cenário da categoria no país e estratégias para o crescimento no mercado. Confira:

Ei, Táxi – Dentro da sua atuação em todo o Brasil, como você enxerga o sistema de táxi atualmente?

Hérverthon Lúcio – O táxi vem definhando em razão dos aplicativos, não tão somente pelo preço, mas pela modernidade e facilidade de se pagar pelo aplicativo. É necessária uma evolução, que infelizmente exige sacrifício de todas as partes, seja das rádios, cooperativas ou do próprio taxista.

ET – A atuação em contratos e licitações com órgãos públicos são uma boa alternativa para voltar ao mercado?

EL – Sim. Desde 2015 existe um crescimento nacional da demanda de transporte dos órgãos públicos. O táxi participou, e foi o primeiro grande projeto em nível nacional com o TáxiGov, isso tem se estendido para estados e prefeituras. Nós vemos que tão breve, o governo federal, inclusive nos estados, começa a licitar essa demanda. Isso sim, é uma saída para o táxi, pela sua diferenciação. Os aplicativos têm um foco muito grande na pessoa física, por isso o táxi precisa investir e se preparar também para o governo.

ET – Em sua palestra, você citou experiências do uso de táxi na Europa. O táxi no Brasil está atrás de outros países do mundo? 

EL – O táxi do Brasil passou por um momento drástico com o Uber, mas isso nos ensinou alguma coisa, nos ensinou que não estávamos no caminho certo. Senão, nem sequer o concorrente teria sido tão captador dos nossos clientes.

O táxi no Brasil, hoje, tem um atendimento qualificado, tem carros novos, se comparado com o mercado Europeu, mas precisa ser mais agressivo por conta do capital e da capacidade de investimento dos concorrentes. Lá fora, ainda não houve uma agressividade da Uber tão grande, mas isso chega, a gente viu como chegou aqui, foi devastador. Em relação a lá fora, já sofremos mais do que os outros, mas isso não significa que temos que deixar de investir e ficar estáticos.

ET – Por que os aplicativos são tão fortes no Brasil?

EL – A Uber veio com a soma do Brasil ser um dos quatro países mais conectados do mundo e o preço. Ele chegou em um momento que a nossa economia estava em baixa, com muita gente precisando trabalhar e muita gente querendo pagar menos. Inicialmente, a Uber chegou com um apelo elitizado, com serviço diferenciado, mas logo em seguida mostrou a verdadeira face dela e se tornou um serviço popular.

O passageiro hoje, em geral, se preocupa apenas em ser transportado. Não tem a consciência social de quanto custa para quem está transportando, e isso, inclusive, eu vejo, a longo prazo, um impacto social muito grande em nosso país. Na nossa economia, na nossa previdência social, por exemplo.

Você pode perceber que dificilmente tem um motorista de Uber que trabalha há muito tempo, ela vive do giro. A pessoa entra, gasta um carro, vê que não dá conta de bancar a manutenção e sai. E entra um novo tentando. Esse giro mantém a Uber viva e crescendo, assim como os demais aplicativos.

Já o táxi, não. Ele vem de uma cultura enraizada. Ele tem uma licença e uma regulamentação. O taxista é um profissional, diferente do motorista de aplicativo. O que a gente precisa resgatar é a tarifa que atenda a necessidade do profissional e do cliente, mas não tão negativas quando as dos aplicativos, e inovar as tecnologias.

ET – Recentecente o STF limitou a capacidade de os municípios regularem os aplicativos. Qual a sua opinião?

EL – A regulamentação dos aplicativos, na verdade, se observarmos, ela foi uma desregulamentação, por que deixou o mercado livre assim como as últimas práticas da tecnologia executiva trouxeram. Você tem outros modelos, como Netflix e Nubank, que trouxeram os seus respectivos mercados e seus impactos. O táxi continua regulamentado, com uma série de exigências de alvará, vistoria e fiscalização, com uma carga eraria pesada. Acredito que para equalizar o mercado, já passou o tempo de o táxi ser desregulamentado, para que possa concorrer ao mesmo nível. Obviamente que os diferencias, como faixa exclusiva e ponto de apoio devem ser mantidos, para que se tenha uma diferença entre os dois meios de transporte.

Nós precisamos que o estado tenha uma visão mais social e protecionista, mas não do aspecto financeiro protegendo o mercado, protegendo o aspecto social de fato. Alguém vai bancar uma grande quantidade de pessoas que viveram dos aplicativos, mas não recolheram impostos e previdência social, mas estão aí rodando um carro 12 ou 18 horas por dia.

Os taxistas têm as suas obrigações tributárias e previdenciárias e têm dificuldade de se manter. Imagina esse mercado que está regulamentado, sem proteção e sem recolhimento.

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