A Associação Geral dos Taxistas (AGT), por meio de seu presidente Denis Paim, informou à categoria que, em razão da realização da Lavagem de Iemanjá, neste 2 de fevereiro de 2026, e por se tratar de um evento de grande apelo popular, está confirmado o uso da Bandeira 2 no perímetro da festa, “conforme regulamentação vigente”.
A informação, segundo Paim, teria sido repassada pelo coordenador da Cotae, Willys da Conceição, indicando um novo entendimento sobre a aplicação do regulamento em eventos populares — situação que, de acordo com próprio Paim, também teria ocorrido durante a Lavagem do Bonfim.
O Portal Ei Táxi tentou confirmar oficialmente a medida junto à Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), tanto por e-mail quanto por WhatsApp, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
De acordo com o regulamento do serviço, não há previsão expressa para a liberação da Bandeira 2 em eventos populares. O texto menciona apenas a possibilidade de acréscimo de 20% sobre o valor final da corrida quando houver transporte de passageiros acima do limite previsto — e ainda assim, até a capacidade máxima do veículo. Diante disso, a ausência de um ato oficial que formalize uma eventual mudança de interpretação cria uma lacuna jurídica.
Embora a medida possa beneficiar os taxistas em momentos de alta demanda, a falta de comunicação do órgão responsável abre espaço para questionamentos por parte dos passageiros, que podem exigir o cumprimento literal do regulamento ao se depararem com a cobrança da Bandeira 2 — especialmente sem qualquer aviso prévio da autoridade municipal.
É importante deixar claro que o Portal Ei Táxi não desmente a nota divulgada pela AGT, tampouco busca impedir que o taxista aplique a tarifa informada pela entidade. A comunicação da associação, inclusive, teria sido baseada em informações repassadas pela própria coordenação da Cotae. O que se cobra, no entanto, é que qualquer alteração de entendimento seja feita da forma correta, com transparência e respaldo oficial, garantindo segurança jurídica para os profissionais e previsibilidade para os usuários.
O que chama atenção é que episódios como este parecem deixar evidente uma desorganização interna na coordenação do serviço. Se a liberação ocorreu também na Lavagem do Bonfim e voltou a acontecer agora, tudo indica que a prática vem sendo tolerada — ou até aprovada — pela gestão da pasta, comandada pelo secretário Pablo Souza.
Diante disso, ficam alguns questionamentos: houve, de fato, uma mudança de interpretação do regulamento? Se houve, por que ela não foi formalizada e amplamente divulgada? Por qual motivo a Semob não responde aos pedidos de esclarecimento da imprensa sobre um tema que impacta diretamente trabalhadores e passageiros?
Mais do que uma simples questão operacional, trata-se de transparência pública. Quando decisões que afetam o bolso do cidadão e a atuação dos profissionais são tomadas sem comunicação oficial, o resultado é insegurança — para todos os lados.
O Portal Ei Táxi segue aguardando um posicionamento da Semob para esclarecer se a liberação da Bandeira 2 em eventos populares passou a ser uma diretriz do órgão ou se estamos diante de decisões pontuais, adotadas sem a devida formalização.




