Nossos mais sagrados direitos estão sendo atacados!

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    Imagem: reprodução de www.notempo.com.br

     

    Por Antonio Aquino

     

    Era começo de noite, fim de um dia duro de trabalho. O coração renovava-se de alegria com a proximidade de casa e do encontro com a família. De repente, em frente ao meu prédio, com pessoas na rua e nas janelas, para um carro em frente ao meu, dele descem dois jovens armados e apontam seus revólveres em minha direção. Ao perceber que seria abordado, desci do carro, deixei a chave na ignição e andei de costas até me afastar, sempre sob a mira dos irresponsáveis marginais. Levaram meu carro, com telefone e todos os meus documentos. Deixaram toda perplexidade, raiva, indignação e revolta que um ser humano pode sentir.

     

    Com que direito um covarde bandido aponta um revólver na direção de um cidadão de bem que nada lhe deve? Com que direito um canalha covarde se apropria de bens que não lhe pertence? Com que direito um meliante covarde coloca em risco a vida de pessoas inocentes e as submete à violência desta natureza? Não, não é normal, aceitável, tolerável e passível de convivência e condescendência com a violência urbana que a cada dia mais se banaliza nas cidades.

     

    Um assalto não é um roubo de bens, de pertences ou coisas materiais, é um ataque à individualidade, à cidadania, à dignidade humana. Um assalto é um terrível ato de covardia que traumatiza e submete a alma das pessoas à perversa sensação de impotência, depois complementada pela compreensão de estar vivendo sob um estado falido que perpetua a impunidade.

     

    Confesso que jamais havia passado pessoalmente pelo dissabor de um ataque desta natureza, embora minha filha, funcionários, amigos, vizinhos e colegas tenham sido vítimas destas inaceitáveis barbaridades, já incorporadas ao anedotário, ao cotidiano sofrido das pessoas. Não é normal essa realidade. Deus não precisa ficar recebendo o agradecimento dos que sobrevivem nem os anjos de guarda suportam tanta pressão.

     

    Não são contabilizados os imensos prejuízos financeiros, econômicos, patrimoniais e emocionais dos cidadãos brasileiros com tamanha barbaridade. Prejuízos aos quais precisamos acrescer o das empresas, do estado, da economia.

     

    É emocionante receber o apoio e a solidariedade dos amigos leais: “que bom que você está bem”, “dos males o menor”, “foram-se os anéis mais ficaram os dedos”… E por aí vai. Uma ligação amiga faz muita diferença nessa hora de profunda fragilidade e sensação de abandono. Entretanto, passado o susto, brota outra vez a indignação raivosa e vem a pergunta: Isso tem jeito? O que pode ser feito para melhorar essa calamitosa situação?

     

    Com humildade de leigo em assunto de segurança e sob efeito de fortes emoções, ouso fazer as seguintes recomendações:

     

    – Implantação da tolerância zero com todas as formas de violência, seja contra pobre ou rico, preto ou branco, gay ou hétero, mulher ou homem, idoso ou criança, índio, sulista ou nordestino, católico ou evangélico. Gente não se aparta como gado, por raça, mas por comportamento;

     

    – Mudança profunda e radical no conjunto das leis que regem o sistema penal brasileiro, adequada e compatível com a realidade primitiva, incivilizada e mal educada de nossa sociedade;

     

    – Modernização e qualificação das estruturas de segurança, justiça, polícia e penitenciária, com o afastamento definitivo dos maus agentes públicos;

     

    – Escola de qualidade em tempo integral para crianças e jovens;

     

    – Fim da menoridade penal;

     

    – Reavaliação da Lei do Desarmamento (ou vale para todos ou para nenhum);

     

    – Serviço Preparatório de Cidadania, obrigatório para alunos de segundo grau de escolas públicas com capacitação em defesa civil, primeiros socorros, defesa pessoal, direitos básicos e deveres de cidadania, voluntariado, educação doméstica – civilizatória;

     

    – Reforma politica profunda com radical mudança nos requisitos de escolha dos nossos representantes políticos, nosso sistema de governo, de representação, de partidos.

     

    Evidente que um assunto tão complexo não se esgota com oito tópicos aleatoriamente abordados, mas vale a contribuição.

     

    Uma coisa está clara: O povo brasileiro precisa reagir à violência, ao crime, à corrupção com força e vigor. O cidadão, eleitor, contribuinte, precisa deixar de ser refém do crime e dos criminosos.

     

    Todo bandido, marginal, assaltante, é um covarde e como tal deve ser tratado pela sociedade e pelo estado. Não há vítimas do sistema, há vítimas de pessoas, de gente.

     

     

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    Antonio Carlos Aquino de Oliveira

    Administrador, Consultor, Palestrante e Empresário do setor de publicidade.

    aquino@muralpublicidade.com.br

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    Comments (2)

      • licia
      • 24/02/2018 at 14:20

      Parabéns pelo artigo! Eu também já passei por situação semelhante e é terrível o sentimento de impotência e indignação! Somos leigos no assunto de segurança, mas temos sempre boas sugestões! Rss Por que esse pessoal responsável por ela não colabora? Vamos sempre precisar de um general? Rssssss

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      • Prezada Licia,
        Em minhas palestras, debates que participo ou artigos que escrevo, trato o assunto segurança pública como indicador de educação, de toda uma sociedade e individual. Sem catastrofismos, sem pessimismos e com senso de realidade, afirmo que se não houver uma revolução radical na educação brasileira, prioridade absoluta do estado e governos, tudo que está ruim, tende a piorar. Antonio Carlos Aquino de Oliveira

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