Os taxistas de Camaçari continuam esperando respostas concretas sobre mudanças prometidas pela Superintendência de Trânsito e Transporte Público de Camaçari (STT). E, pelo que tudo indica, a espera ganhou um novo capítulo: o silêncio continua sendo a principal resposta oferecida à categoria.
Dias depois da publicação da última reportagem do Portal Ei Táxi sobre o assunto, representantes das cooperativas de táxis especiais de Camaçari procuraram novamente Nazaré, Gerente de Renovação de Alvarás de Táxi da STT, para saber se havia alguma definição sobre as reivindicações apresentadas pelo segmento.
A resposta, segundo os representantes das cooperativas, foi curta e pouco animadora: “nada mudou”.
Diante da pergunta sobre o andamento das demandas, os taxistas foram orientados a procurar diretamente o superintendente da STT, Edmilson Souza.
Ou seja: depois de meses de reuniões, reivindicações e promessas de análise, a categoria continua sem saber exatamente o que foi decidido, o que está sendo estudado e, principalmente, quando alguma das medidas prometidas será efetivamente colocada em prática.
Promessas continuam sem Portaria
O problema não é novo. As cooperativas de táxis especiais de Camaçari apresentaram à STT um conjunto de 13 reivindicações relacionadas ao funcionamento do serviço. Em reunião realizada em maio deste ano, representantes da categoria receberam a informação de que algumas medidas seriam atendidas e outras ainda passariam por análise.
Entre os pontos apontados como passíveis de atendimento estavam mudanças relacionadas à idade e às características dos veículos, além da simplificação de documentos exigidos para determinados procedimentos.
Entre as medidas anunciadas estavam:
- permitir veículos brancos ou prateados no sistema de táxi;
- permitir o ingresso de veículos com até nove anos de fabricação;
- simplificar a documentação exigida para renovação de autorizações e permissões de motoristas auxiliares.
O problema é que, até agora, as promessas não se transformaram nas Portarias que poderiam dar segurança jurídica aos taxistas.
Foi justamente essa situação que levou o Portal Ei Táxi a procurar a STT e questionar o superintendente sobre o andamento das medidas.
A reportagem também questionou prazos, estudos técnicos e jurídicos, renovação de permissões, documentação, fiscalização, penalidades e outros assuntos de interesse direto dos profissionais. A resposta, entretanto, não veio.
Ei Táxi pergunta. STT não responde.
A situação foi exposta pelo Portal Ei Táxi na matéria publicada no dia 18 de agosto. Desde então, a reportagem permanece sem qualquer retorno da Superintendência de Trânsito e Transporte Público de Camaçari.
A nova informação trazida pelos representantes das cooperativas torna o cenário ainda mais difícil de compreender. Se a própria gerência responsável pelo transporte individual informa que “nada mudou”, a pergunta é inevitável: quem está conduzindo a análise das reivindicações e qual é, afinal, o prazo para que a categoria tenha uma resposta oficial?
E há uma segunda pergunta, talvez ainda mais simples: por que os taxistas precisam ficar procurando autoridades individualmente para descobrir o andamento de reivindicações que já foram formalmente apresentadas ao órgão responsável pelo setor?
A categoria não está pedindo informação sobre um assunto particular. Está cobrando providências relacionadas à regulamentação e ao funcionamento do serviço de táxi de Camaçari.
E o vereador que intermediou a reunião?
O silêncio também se estende ao vereador Tagner Cerqueira, que participou da articulação política envolvendo as reivindicações dos taxistas e intermediou reunião entre representantes da categoria e a administração municipal.
O Portal Ei Táxi também procurou o vereador para saber qual seria o encaminhamento dado às promessas feitas aos taxistas e se ele continuava acompanhando o assunto.
Desde a publicação da reportagem de 20 de agosto, não houve qualquer retorno ao Portal Ei Táxi.
E aqui surge uma situação que merece ser colocada às claras. Quando uma autoridade política se apresenta como interlocutora de uma categoria, participa de reuniões e ajuda a levar reivindicações ao poder público, é razoável esperar que continue acompanhando o assunto depois que as fotografias da reunião deixam de circular.
Afinal, intermediar uma reunião é apenas o começo. O que interessa aos taxistas é saber o que aconteceu depois dela.
Para os taxistas, a espera continua
Enquanto STT e vereador permanecem em silêncio diante dos questionamentos do Portal Ei Táxi, os profissionais continuam tentando descobrir por conta própria se alguma coisa avançou.
E, até o momento, a resposta recebida pela categoria é praticamente a mesma: “nada mudou”.
É difícil não perceber a ironia da situação. De um lado, reuniões são realizadas, reivindicações são apresentadas e algumas medidas são apontadas como possíveis de serem atendidas. Do outro, quando os taxistas perguntam pelo resultado, recebem a orientação para procurar o superintendente. Quando a imprensa pergunta oficialmente, não recebe resposta.
Afinal, quem precisa correr atrás de quem?
São os taxistas que precisam procurar a STT para saber o que a própria STT decidiu? É a categoria que precisa localizar autoridades para cobrar o cumprimento de promessas feitas em reuniões? Ou cabe ao poder público informar oficialmente quais reivindicações serão atendidas, quais foram rejeitadas e quais ainda estão sob análise?
O silêncio também comunica
A ausência de resposta não permite afirmar que nenhuma providência esteja sendo tomada internamente. Mas permite registrar um fato objetivo: a categoria continua sem uma posição pública clara sobre o cumprimento das medidas anunciadas e o Portal Ei Táxi continua sem respostas às perguntas encaminhadas.
Enquanto isso, os taxistas seguem esperando. Esperando a Portaria. Esperando os prazos. Esperando as respostas. E, principalmente, esperando que as promessas feitas em reunião deixem de ser apenas promessas.
O espaço permanece aberto para que a STT e o vereador Tagner Cerqueira apresentem suas explicações e atualizem os taxistas sobre o andamento das reivindicações.




