Fico pensando na dor que as pessoas têm sentido diante da perda do seu ente querido que morrera vítima do Coronavírus. Sofrimento enorme vem, com certeza, passando essas famílias. Além de ter que encarar o isolamento social e por não ter tido nem a oportunidade de ir ao caixão abraçar teu irmão, amigo, pai ou mãe. Isso provoca muita dor.
Morrem pobres e morrem ricos. Morrem pessoas famosas e não famosas. Vimos aí a morte de um compositor, cronista e poeta, o genial Aldir Blanc, parceiro musical do cantor João Bosco. O Aldir Blanc já estava adoentado, mas quando infectado pela Covid-19 teve seu quadro clínico piorado, chegando a ficar internado e depois falecendo. Quando João Bosco soube da morte do seu amigo e colaborador, o mesmo ficou surpreso e sem chão. É duro perder amigo, principalmente, aquele que a gente ama e tem admiração.
Num momento como este de Pandemia, quem vier a ter uma perda de um amigo, um pai ou uma mãe não tem como não sofrer a dor da perda. A perda é importante aceitar e vivenciar o processo do luto. Não tente esquecer ou fugir porque é pior. Quando tiver vontade de chorar, vá para um lugar reservado e chore o quanto quiser. Vindo a tristeza não tente fingir que não está triste. Procure seguir o luto até superar os seus maiores e fortes percursos de transição, durante e depois.
Como seremos depois que este vírus nos deixar? Quais os conflitos psicológicos que terão as pessoas de enfrentar amanhã? Com certeza que serão muitos. Lembrem-se que os idosos vivem quase que totalmente confinados dentro de casa sem oportunidade de tomar nem um banho de sol, se encontrar com os netos e os seus filhos. Sofrem pela falta dos seus familiares e vice-versa também os netos e filhos. Então, tudo isso terá um dano psíquico mais tarde. Muitos idosos não suportam solidão e podem adquirir uma depressão.
Mas é preciso o isolamento para se livrar desta catástrofe viral. Porém, por um lado pode surgir outra catástrofe depois que o Coronavírus desaparecer, a do terremoto emocional. Este será um problema a ser encarado principalmente pelas pessoas que perderam algum amigo ou alguém da família vítimas da contaminação do vírus. Quer dizer, o Coronavírus um dia vai embora, o que puder matar e o que não puder matar deixará em muitos um conflito emocional a ser resolvido. O pânico e o sentimento de perda poderão ser os conflitos emocionais mais graves a serem enfrentados. Eu sei que muitos podem dizer: só não vai acontecer comigo, porque sou forte e tenho Deus. Tudo bem, você é forte e tem Deus. Todavia, não brinque e não vacile.
Por coincidência, eu vi pela televisão uma mulher em choro relatando que saía para rua normalmente e o pai dela também. Sabe o que aconteceu. O pai dela foi infectado pela Covid-19 e morreu. Ela estava arrependida. É de magoar o coração. Muita tristeza o mundo está passando por causa deste maior ataque viral. Espero que todos tenham confiança que vamos sair dessa e seguir em frente.
Conrado Matos
Psicanalista, Poeta, Filósofo, Compositor e Escritor
WhatSapp: (71) 9 9910-6845





