Com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República e de Jerônimo Rodrigues para o Governo da Bahia, os taxistas começam a projetar os próximos anos e avaliar as perspectivas para a economia e o futuro da atividade profissional.
O Ei, Táxi ouviu quatro profissionais, com diferentes trajetórias na categoria, para saber quais são suas expectativas em relação a cinco temas que impactam diretamente o trabalho dos taxistas: economia, segurança pública, turismo, combate ao transporte clandestino e liberação do táxi como transporte intermunicipal.
As respostas mostram opiniões distintas sobre os caminhos que os governos poderão seguir. Enquanto alguns demonstram otimismo com medidas econômicas e oportunidades no turismo, outros manifestam preocupação com a segurança, a falta de fiscalização e a concorrência considerada desleal com o transporte clandestino.
Economia: expectativas divididas entre otimismo e preocupação
A situação econômica aparece como uma das principais preocupações dos profissionais. Para Cândido Alencar, 52 anos, taxista em Camaçari há três décadas, não há grandes expectativas de mudanças, embora ele torça por uma melhora.
“Não acredito em mudanças na economia, mas torço que seja a melhor possível, pois sou brasileiro e acredito no meu Brasil”, afirmou.
Já Roldiney da Silva Magrani, 52 anos, taxista em Salvador há 33 anos, acredita em uma perspectiva positiva. Ele menciona a desoneração da cesta básica e o programa Move Brasil como medidas que podem beneficiar a categoria, especialmente na renovação dos veículos.
Para Denis Paim, 49 anos, taxista em Salvador e presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT) por 11 anos, a expectativa também é de melhora. Ele relaciona a possibilidade de recuperação econômica à redução das dificuldades enfrentadas pelos microempresários e à geração de empregos.
Uma visão mais preocupada foi apresentada por Evandro Vieira Mello, conhecido como Tio Evandro, de 67 anos e com 48 anos de profissão. Para ele, o cenário econômico é preocupante em razão do endividamento das famílias.
Segurança pública: preocupação com a violência
A segurança pública foi outro tema que dividiu as avaliações, embora a preocupação com a violência esteja presente nas respostas.
Cândido Alencar acredita que pouca coisa deve mudar. “Acho que vai continuar do mesmo jeito, infelizmente!”, declarou.
Tio Evandro foi ainda mais direto ao avaliar a situação: “Essa, não existe, estamos entregues à bandidagem”.
Roldiney Magrani entende que a segurança depende de outros fatores, principalmente da economia e da educação. Para ele, as medidas de controle podem contribuir para melhorar o cenário.
Denis Paim, por sua vez, demonstra expectativa positiva e cita investimentos em contratações de policiais, viaturas e equipamentos de segurança como fatores que podem contribuir para avanços, especialmente na Bahia.

Turismo: crescimento e necessidade de fiscalização
O turismo é visto por parte dos entrevistados como uma oportunidade para ampliar o faturamento dos taxistas, mas também aparece associado à necessidade de organização e fiscalização do setor.
Cândido acredita que a atividade turística na Bahia pode melhorar. Roldiney Magrani avalia que o turismo cresce a cada ano, mas alerta para a concorrência de prestadores de serviços que, segundo ele, atuam sem a devida regulamentação e fiscalização.
“Turismo, aqui, só cresce a cada ano. Só precisa ser regulado, porque tem muita gente tirando mercado dos taxistas, sem ser cobrado em nada e sem fiscalização”, afirmou.
Tio Evandro apresentou uma avaliação mais cautelosa: para ele, o turismo resolve a situação de quem trabalha com o setor durante aproximadamente cinco meses do ano.
Denis Paim também acredita em crescimento e destaca que a renovação da frota, facilitada pelo programa Move Brasil, pode ajudar os taxistas a aproveitar melhor as oportunidades geradas pelo turismo.
Transporte clandestino: cobrança por fiscalização efetiva
O combate ao transporte clandestino foi um dos assuntos em que os taxistas demonstraram maior insatisfação. As manifestações apontam para a necessidade de fiscalização permanente e de medidas que garantam condições mais equilibradas de concorrência.
Cândido Alencar não acredita que o problema seja resolvido sem uma mudança de postura dos governos.
“Nunca foi feito nada para acabar. Muda o governo e a história continua. Assim é o PT, infelizmente!”, declarou.
Roldiney Magrani defende a criação de um órgão específico para fiscalizar a atividade e considera que falta atuação efetiva do poder público.
Para Tio Evandro, o combate ao transporte clandestino é como “enxugar gelo”, expressão que demonstra seu descrédito em relação às ações realizadas até agora.
Denis Paim também considera o assunto complexo e afirma que a atuação dos gestores da mobilidade precisa ser mais efetiva.
“Referente ao transporte clandestino é polêmica. É muito complicado, porque só tem aumentado e é uma questão também de política, segurança pública e gestores da mobilidade que não demonstram ter interesse em combater esses transportes clandestinos”, avaliou.

Táxi intermunicipal: categoria espera mudança na legislação
A possibilidade de permitir que taxistas realizem viagens intermunicipais de forma regulamentada também foi apresentada aos entrevistados. O tema divide opiniões, mas há profissionais que enxergam na mudança uma oportunidade de ampliar o mercado de trabalho.
Cândido Alencar defende a alteração das regras para evitar que os taxistas continuem sendo prejudicados.
“Faço votos que venha ser feito essa liberação e mudança nas leis, pois não podemos continuar sendo prejudicados”, afirmou.
Tio Evandro considera que a autorização representaria mais uma possibilidade de faturamento para os profissionais.
Roldiney Magrani, entretanto, tem posição diferente. Para ele, o modelo atual deve ser mantido, com cada táxi operando no município em que possui alvará. O taxista argumenta que o transporte de passageiros para outras cidades já é permitido, desde que o profissional não passe a operar fora do município de sua autorização.
Denis Paim defende a aprovação de uma proposta que permita ampliar a atuação dos taxistas entre municípios. Ele cita a mobilização da Frente Nacional do Taxista (FRENNATAXI) em torno do tema e afirma que a categoria continuará cobrando o avanço dos projetos em Brasília.
“Agora, com esse governo, nós esperamos que o projeto para liberar o táxi intermunicipal seja aprovado. É um projeto que a Frente Nacional do Taxista (FRENNATAXI) tem buscado pra categoria. Vamos continuar buscando os projetos que estão lá em Brasília, engavetados. Com a reeleição do presidente Lula, vamos cobrar dele, que ele cumpra o que foi prometido”, declarou.
O que os taxistas esperam dos próximos governos?
As respostas mostram que, apesar das diferenças de avaliação, os profissionais compartilham preocupações relacionadas às condições de trabalho, à segurança, à concorrência com serviços não regulamentados e à necessidade de ampliar as oportunidades de faturamento.
A expectativa agora é que os governos federal e estadual transformem as promessas e medidas anunciadas em ações concretas para a categoria. Para os taxistas ouvidos pelo Ei, Táxi, os próximos anos serão importantes para avaliar se haverá avanços em pautas que há muito tempo fazem parte das reivindicações do setor.