Nasceu no dia 12 de Fevereiro de 1861, em São Petersburgo, na Rússia, a psicanalista Lou Andreas-Salomé, Filósofa, Ensaísta, Romancista, Poetisa e Escritora. Foi casada com o poliglota, estudioso de linguística, Friedrich Carl Andreas, mas nunca se divorciaram.
Quando li a biografia de Lou Andreas-Salomé, (LOU – Minha irmã, minha esposa”, do seu Biógrafo H. F. Peters), o que me chamou atenção nesta obra foi o relacionamento de Salomé com o poeta Rainer Maria Rilke. Mas a psicanalista Lou Salomé se relacionou também com Paul Rée e com o filósofo Friedrich Nietzsche. Relacionamentos pelos quais ela tinha grande respeito e admiração. Enquanto Rilke, Rée e Nietzsche, não passavam de poetas e filósofos apaixonados. Lou foi uma grande inspiração para o poeta Rilke, porém não se deixava ser dominada pela sedução do poeta.
Sigmund Freud vem a conhecê-la e a ouvi-la com muito respeito e orientações. Freud convida para fazer parte do seu grupo de psicanálise, onde a mesma ingressa como curiosa da psicanálise e depois se torna uma psicanalista.
Para Lou existiam dois Rilke, um autoconfiante e um outro dominado por uma introspecção mórbida, doentia e solitária. Rilke não conseguiu se casar com a bela poetisa russa.
Mais tarde, Rilke se casa com Clara Westhoff, uma escultora. Assim que Lou toma conhecimento do casamento, escreve esta carta ao poeta: “Agora que tudo é sol e calma ao redor de mim e que o fruto da vida conquistou sua redondeza madura e doce, a lembrança que nos é certamente ainda cara a nós dois daquele dia de Waltershausen, em que vim a ti como uma mãe, me impõe uma última obrigação (…) Se te aventuras livre no desconhecido só será responsável por ti mesmo”.
– Não demorou, Lou recebeu o seguinte poema escrito por Rilke: “Permaneço no escuro como um cego /Porque meus olhos não te encontram mais / A faina turva dos dias para mim / não é mais que uma cortina que te dissimula.
Olho-a, esperando que se erga / esta cortina atrás da qual há minha vida / a substância e a própria lei da minha vida / e, apesar disso, minha morte. / Tu me abraçavas, não por desrazão / mas como a mão do oleiro contra o barro / A mão que tem poder de criação. / Ela sonhava de algum modo modelar / depois se cansou / se afrouxou / deixou-me cair e me quebrei / Eras para mim a mais maternal das mulheres / eras um amigo como são os homens/ eras, a te olhar, mulher realmente, mas também, muitas vezes, criança / Eras o que conheci de mais terno / e mais duro com que tenho lutado / Eras a altura que me abençoou / – te fizeste abismo e naufraguei”.
Rilke ainda era cegamente apaixonado por Lou. Seu amor era todo para ela e não para os braços de outra. E ainda, o poeta tinha esperança de resgatar a sua Lou, porém a mulher era forte como um leão.
Segundo o seu biógrafo H. F. Peters, Lou inspirou Nietzsche quando em 1882 escrevia em Turim, na Itália, a sua grande obra “Assim falou Zaratustra”. Lou serviu de inspiração para o super-homem de Nietzsche.
Lou Andreas-Salomé deixou uma lição de vida sobre a liberdade, o amor, o companheirismo e a paixão. Morreu em 05 de fevereiro 1937, com 75 anos. Antes de morrer pediu para ser cremada e em seguida suas cinzas fossem jogadas no jardim da sua casa, em Gottingen-Alemanha, para que seu corpo fosse para a terra e se transformasse em planta e flor.
Conrado Matos
Psicanalista, Filósofo, Poeta e Escritor
Especialista em Educação em Gênero e Direitos Humanos pela Universidade Federal da Bahia/Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas UFBA.
E-mail: [email protected]






2 comentários em “A Lou Salomé do Poeta Rilke – Por Conrado Matos”
Muito bom o artigo! Hoje as “Salomés” , muitas vezes são vítimas de agressões feminicidio, por parceiros que não suportam a dor da separação. Lou Salomé, lembro que era uma mulher a frente de seu tempo! Parabéns!
Obriga Lícia Carvalho pelas considerações comentadas acerca do artigo. Meu abraço fraterno.
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