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Um livro terrível!

Imagem: reprodução de reprodução_www.amazon.com.br
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Por Alcir Santos

McMáfia – Crime sem Fronteiras, do jornalista e historiador britânico Misha Glenny, publicado, no Brasil, em 2008, pela Compainha das Letras, com tradução de Lucia Boldrini, é um livro precioso. Fascina e atemoriza o leitor. É história contemporânea que não se estuda nos currículos acadêmicos. Para escrevê-lo o autor mergulhou nas entranhas do crime organizado em todo o mundo, identificando suas conexões e poderio para depois mostrar o quanto ele faz parte da vida de todos nós, inclusive dos cidadãos ordeiros, eleitores, que pagam seus impostos religiosamente e são até incapazes de invadir um sinal fechado.

 

Neste livro, fruto de minucioso – e perigoso – trabalho de pesquisa, tanto em fontes primárias como secundárias, o autor traz à luz uma sociedade que desconhecemos e que, ainda assim, somos parte dela. O crime organizado é algo muito mais sério e consistente do que imaginamos. Atuando em todos os continentes tem a capacidade de integrar os mais diversos grupos em função dos interesses de cada um e sempre com vistas a lucros estratosféricos.

 

Praticamente nenhuma atividade ilícita fica fora das organizações criminosas. Tráfico de pessoas em larga escala, drogas, armas, minérios, contrabando, lavagem de dinheiro, falsificação de produtos, fraudes, ataques cibernéticos a bancos e instituições. Não só. A leitura é inquietante porque nos alerta, em última análise para a realidade que nos cerca. De repente nos damos conta de que não sabemos, por exemplo, de onde veio o dinheiro que financiou a compra da companhia aérea, do resort, do hotel ou até mesmo do restaurante que frequentamos. Dura realidade!

 

Nada escapa a esses grupos capazes de tirar proveito e vantagens até de fatos históricos, a exemplo do fim da União Soviética e, até, do processo de globalização. Tudo é oportunidade para, competentes, articulados e astutos, dinamizarem e diversificarem seus negócios, seja na África, na Ásia, na Europa ou na América. Não importa. Onde houver oportunidades de ganhos, presentes estarão as organizações criminosas transnacionais. Lucros estratosféricos garantem aos chefões poder e capacidade de, inclusive, influir no destino de países ditos organizados, até mesmo escolhendo seus dirigentes e autoridades diversas.

 

Mas o cidadão comum não é de todo isento. Demandando por sexo barato, drogas, armas, artigos falsificados e uma infinidade de outros produtos e serviços, resultado, muitas vezes, do consumismo desenfreado de europeus ocidentais e americanos, impulsiona as organizações criminosas. Se há demanda, há de ter oferta. É fato.

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