Últimos Apoiadores:

R$ 5,00
13/05
R$ 50,00
01/05
R$ 5,00
28/04
R$ 10,00
23/03
R$ 6,00
03/03
R$ 12,00
11/11
R$ 10,00
10/11
R$ 20,00
07/10
R$ 10,00
01/10
R$ 5,00
25/09

A Cultura do Cacete Armado – Por Antônio Carlos Aquino de Oliveira

Poste de fiação elétrica

Na Bahia, terra de vocabulário próprio e cultura peculiar, as coisas mal feitas, feitas às pressas e com muitos defeitos e erros – às vezes fatais – são chamadas de armengues, quebra-galhos, puxadinhos, armação ou cacete armado.

Conheci um político de uma importante cidade do interior que se orgulhava de ser semi-alfabetizado e ter alcançado a condição de Prefeito Municipal. Uma honra e uma glória pessoal, um troféu para os iguais que lhe confiaram os destinos da cidade. Assim, têm nome de populistas e apelido de populares os políticos que abdicam do certo e legal em nome do cacete armado nas administrações, basicamente sustentados em ilegalidades e irregularidades. É bem verdade que não há uma relação de causa e efeito direta entre o analfabetismo dos homens públicos e as más gestões das cidades, embora seja inaceitável que gestores públicos não tenham noção do que seja governar e administrar, até porque têm sido os cultos e os formados, com exceções, que estão destruindo as cidades, estados, o país e o mundo.

Pois bem, para nós administradores, é possível afirmar que, diante das carências e dos problemas do Estado brasileiro, nos seus três níveis, das suas complexidades e profundidade, do histórico e raízes, nossas cidades são inadministráveis, sem solução, com tendências de agravamento.

Ao comemorar, e muito, as exceções, os avanços, as melhorias pontuais e localizadas, voltamos ao tema desse artigo – A Cultura do Cacete Armado.

Não deve dizer que conhece uma cidade quem não anda por toda ela, quem não conhece todos os bairros, quem não olha com profunda empatia a vida dos seus irmãos de terra, espaço e mesmo ambiente contemporâneo.

A apropriação, uso ilegal, imoral e criminoso dos espaços urbanos é a base física da ideologia do cacete armado, da esculhambação urbana, paisagística, ambiental, jurídico-fundiária e legal no uso e destinação dos espaços urbanos e rurais nesse país de grandes e caras, porém ineficientes e arcaicas, estruturas públicas.

Nas ruas em que muitas vezes não passam carros e motos, os ditos becos e vielas, passa gente, passa vida e saúde, passa sanidade física e mental. Na maioria dos lugares falta qualidade de vida, condições mínimas de sobrevivência. Na cultura do cacete armado os governantes acham que as coisas se resolvem com discursos, com leis e projetos, com inaugurações e propaganda, mas, quem leva a vida conscientemente sabe que essas mentiras continuadas são a sustentação dos armengues, dos puxadinhos, das invasões e grilagem, das milícias e máfias, tudo isso no mesmo balaio e saco do cacete armado.

São seculares formas de dominação, de manutenção de poder.

Tem gente que nasce, cresce, vive e morre no absurdo da ausência do Estado que sustenta, do poder público que banca, mas a todos desejamos civilidade, humanidade, educação e vida digna.

Antônio Carlos Aquino

 

 

 

 

Antônio Carlos Aquino de Oliveira

Administrador, Consultor, Palestrante e Empresário do setor de publicidade

(Visitas totais 467)

3 comentários em “A Cultura do Cacete Armado – Por Antônio Carlos Aquino de Oliveira”

  1. Bartholomeu Rebouças

    Baianidade tolerante com erros sistêmicos..
    E isso, como demonstra o bom texto de Aquino interessa a muitos.
    Se fosse só folclore, seria curioso. Ocorre que isso tem custos, que são pagos por todos.
    A pensar….

  2. Alberto+Marques

    Excelente artigo. As sabias definições do povo desafiam o passar do tempo e permanecem vivas nas comunidades.

Comentários encerrados.

Apoie o jornalismo independente do Portal Ei Táxi!

Contribua para que continuemos trazendo informações relevantes e imparciais. O Portal Ei Táxi não aceita publicidade governamental ou de campanhas eleitorais, garantindo total independência editorial. Apoie com qualquer quantia através do Pix: [email protected] (titular: Web Tech Digital Solutions Ltda, CNPJ 53.653.786/0001-02).

Aviso Importante sobre os Comentários

Em razão da recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), informamos que os comentários nas matérias do Portal Ei Táxi estão, a partir de agora, desativados.
Lamentamos profundamente ter que tomar essa medida. Entendemos que a livre manifestação dos leitores é essencial para o debate democrático. No entanto, diante da insegurança jurídica gerada por essa nova interpretação do STF, que transfere aos blogs, portais, sites e redes sociais a responsabilidade imediata por conteúdos de terceiros, decidimos, com responsabilidade, suspender a área de comentários.
Esperamos que este cenário seja revisto no futuro, e que a liberdade de expressão possa ser exercida com equilíbrio e segurança para todos.
Agradecemos a compreensão.

Cadastre-se em Nossa Lista de Transmissão

🚖 Receba notícias, ofertas e informações do mundo do táxi direto no seu WhatsApp.

Siga o Nosso Canal de Notícias no WhatsApp

🚖 Receba notícias, ofertas e informações do mundo do táxi direto no seu WhatsApp. Não é grupo, apenas recebimento das atualizações. Privacidade do seu número.

Siga nossas Redes Sociais

Você pode se interessar

A comparação inadequada: porque motoristas de aplicativo não são taxistas (nem autônomos) – Por Ilan Fonseca de Souza

21/11/2025

A Retórica da Malandragem e a Gestão do Trânsito

21/10/2025

Ford, Toyota e a lição que o táxi nos ensina sobre justiça no Brasil

09/09/2025

Fala, Taxista: Grito às autoridades!

12/08/2025

Fala, Taxista: A quem interessa transformar o táxi em serviço privado?

24/05/2025

Fala, Taxista!: Como salvar o TÁXI no Brasil e no mundo: Uma plataforma nacional para a sobrevivência do taxista

17/05/2025

Siga nossas Redes Sociais