A rotina dos taxistas de Salvador segue marcada pela insegurança. De acordo com um levantamento da Associação Geral dos Taxistas (AGT), atualizado até o dia 26 de junho de 2025, 113 taxistas já foram assaltados na capital baiana desde o início do ano. Destes, 37 ocorreram somente no mês de junho, sendo que 23 desses crimes foram registrados durante o período de festas de São João, o que revela um aumento expressivo da violência contra esses profissionais nos grandes eventos da cidade.
Os bairros com maior incidência de assaltos foram Valéria, São Caetano, Bairro da Paz, Itapuã e Liberdade. Os criminosos costumam embarcar nos veículos próximos aos locais dos eventos e, no meio do percurso, anunciam o assalto. Segundo relatos, a abordagem acontece de forma repentina, em trechos ermos e muitas vezes com violência.
Além dos assaltos, pelo menos 10 veículos foram tomados de assalto em 2025, sendo 5 somente em junho. Um dos casos que ainda não teve desfecho foi o do táxi Fiat Mobi branco, placa SIG9D25 e alvará A-0879, tomado de assalto no dia 14 de maio, por volta das 23h, na Avenida Progresso, sentido Jambeiro, no bairro de Areia Branca, em Lauro de Freitas, cidade da Região Metropolitana de Salvador. O taxista relatou que foi interceptado por um Gol G5 branco com três meliantes, que o fecharam, desceram do carro e deram voz de assalto:
“Um carro Gol G5 branco com três meliantes passou na frente do meu veículo e logo em seguida fez uma frenagem fechando meu carro. Saíram dois meliantes do fundo dando voz de assalto. Mandaram as três pessoas saírem do táxi — eu e os dois passageiros. Em seguida, entraram no carro, fizeram a volta e foram em direção aos prédios da avenida Progresso, conhecida como Jambeiro.”
A situação tem deixado os taxistas inseguros e revoltados com a falta de resposta das autoridades de segurança.
“Infelizmente, a segurança pública falha muito. Tivemos situações de taxistas pedirem ajuda a policiais e não serem atendidos. Já passamos por blitz com o meliante dentro do carro e o policial não abordou”, denuncia Denis Paim, presidente da AGT.
O dirigente revelou ainda que por pouco não se tornou mais uma vítima este mês.
“Um passageiro queria pagar no Pix, mas estava claramente de olho no meu celular. Desconfiei e acelerei, deixei a corrida de graça. Preferi perder o valor do que perder o carro ou a vida.”
Outro ponto de crítica apontado pela AGT envolve a atuação de alguns agentes da Coordenação de Táxi e Transportes Especiais (Cotae), que obrigam os taxistas a aceitarem todas as corridas sem a possibilidade de recusa, mesmo quando há suspeita de risco.
“Isso aumenta o medo e torna o taxista refém de uma decisão burocrática, quando, na prática, ele precisa avaliar a segurança da sua própria vida”, completou Denis.
A AGT informou que uma nova reunião está agendada com o Comando Geral da Polícia Militar da Bahia, no dia 14 de julho, a partir das 10h, onde os representantes dos taxistas vão apresentar os dados e reivindicar mais policiamento, blitzes efetivas e abordagem preventiva também aos táxis. O presidente da Associação disse ainda que solicitará, mais uma vez, ações concretas à Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia.
Números da violência contra taxistas em Salvador – 2025 (até 26/06)
Taxistas assaltados: 113
Carros tomados de assalto: 10
Mês mais violento: Junho (37 assaltos)
Período crítico: São João (23 assaltos em poucos dias)
Enquanto a violência cresce, os taxistas seguem trabalhando com medo. A AGT reforça o apelo às autoridades: “Não dá mais para esperar por tragédias para que as autoridades façam algo. Precisamos de ações concretas agora.”




