Quando eu “morrer”, não quero a cova escura,
nem a gaveta fria de cimento.
Eu quero em cinzas ser lançado ao vento,
ao léu da sorte, sobre a terra dura.
Ao vir a chuva a sutil textura
seja lavada e nesse novo alento
penetre o solo, seja bom fermento
da terra e volte como relva pura.
E quando amigos me quiserem ver
nestoutra vida que eu vou viver
não me procurem à tumba recusada.
Me vejam sobre os campos vicejando,
nos trinos que os canários vão cantando,
no relincho de um potro em disparada.
Dr. Ernane Nelson Antunes Gusmão
Médico Clínico e Nefrologista; Membro da Academia de Medicina da Bahia, Diretor Cultural da Associação Baiana de Medicina; e Membro da Sobrames-BA (Sociedade Baiana de Médicos Escritores)





