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O perigo para o taxista não é o avanço tecnológico, mas depender da política

editorial
É possível se adaptar, sim! – Foto: www.designforum.com.br

A profissão de taxista é, atualmente, uma das que mais sofre o impacto do avanço tecnológico. Mas enganam-se aqueles que pensam que este avanço é o grande causador de todos os problemas. Ou pelo menos não deveria ser.

 

Não é a tecnologia, a vilã! Aliás, a tecnologia veio pra ajudar este serviço a ser mais ágil, mais eficiente e até mais seguro para o taxista e também para o passageiro.

 

O verdadeiro perigo para a profissão de taxista nunca esteve nesses aplicativos. O perigo mora ao lado, está na política ou na falta dela, quando os tais representantes se omitem e deixam assuntos sérios sem uma solução.

 

Quando os aplicativos de chamada de táxis apareceram no Brasil, leia-se Easy Taxi, 99Taxis e outros, foram uma novidade não só para o taxista como principalmente para os passageiros. O táxi tanto passou a vir mais rápido como sabíamos quem era o taxista e há quantos minutos ele estava de nós.

 

A categoria, inicialmente, até que sentiu um temor que logo foi superado. Os primeiros a se verem contra a parede foram os empresários de rádio táxis que viram o seu modelo de negócio ameaçado. As pessoas não mais iriam ligar para uma central de rádio táxi, era o que se ouvia de alguns. Bem, algumas rádios até desapareceram, porém quem soube se adaptar conseguiu se manter, apostou na tendência criando o seu próprio App e percebeu que muitos clientes mantiveram a tradicional ligação para a central. Sendo assim, seguiram em frente e estão no mercado até hoje. Até aqueles taxistas mais idosos se adaptaram rapidamente às novas plataformas tecnológicas.

 

E o App Uber?

 

O aplicativo Uber nada mais é do que um avanço dessas plataformas como Easy ou 99. Na verdade, tanto Easy como 99, já foram ideias de sucesso trazidas de outros países e que por terem surgido primeiro, são a prova de que a Uber não é uma novidade por aqui. A Uber apenas se utiliza de mão de obra ilegal para faturar num nicho de mercado que já existe baseada num discurso de moda, numa suposta prática de dumping (ação de pôr à venda produtos a um preço inferior ao do mercado), desconfiada evasão de divisas (crime financeiro por meio do qual se envia divisas para o exterior de um país sem declará-lo à repartição federal competente), no desespero de milhares de pessoas desempregadas, na arrogância de tentar se estabelecer num país sem dar satisfação e na incapacidade e omissão do poder público de pensar a mobilidade das cidades a longo prazo.

 

O surgimento dessa oportunidade para muitos motoristas particulares, chamada de Uber, nada mais é do que uma solução que os políticos não conseguem gerar, ou seja, emprego. A classe política não só se mostra incapaz de resolver o problema de milhões de brasileiros desempregados como atrapalha ainda mais com as suas ineficiências, “burrocracias” e corrupções.

 

Uma ressalva a ser feita é quanto ao posicionamento da legislatura e do executivo municipal. Embora essa lei que proíbe o Uber, em Salvador, não tenha significado a solução, mal ou bem, ainda tem sido um paliativo. Pelo que se vê o problema somente será resolvido em Brasília.

 

Pensar as cidades, aquilo que é melhor e correto para a população dá trabalho e não tem sido uma prática da classe política desde que o Brasil é Brasil. Senão, vejamos o metrô de Salvador que chega com algumas dezenas de anos de atraso em relação a outras cidades brasileiras.

 

Infelizmente, outras pessoas estão exercendo a profissão de taxista sem querer cumprir as regras porque a barriga vazia fala mais alto. Para essa situação se encaixa Maquiavel, “os fins justificam os meios”. A qualquer preço?

 

É preciso avaliar o conceito sobre o que é legal e ilegal, ainda que o ilegal esteja trazendo algum benefício para o bolso. Ou então, é hipocrisia cobrar honestidade da classe política.

 

A população tem razão quando cobra um melhor serviço deste profissional, todavia não se pode jogar na lata do lixo aquele que foi por muitos anos a melhor solução de transporte em cidades como a capital baiana e, praticamente, a única da madrugada.

 

Certamente, se esse mercado tivesse sido pensado em longo prazo, lá atrás, pela esfera pública e pelos próprios profissionais que nele atuam, talvez a prestação deste serviço, hoje, não estivesse sendo atropelada pela clandestinidade.

 

A evolução da tecnologia sempre trará algum impacto, mas esses Apps não são os algozes dos taxistas. O problema está em permitir que algumas empresas atuem irregularmente num nicho mercadológico com regras já existentes, onde milhares de profissionais já obedecem a essas regras.

 

Então, caro taxista, o perigo não é o avanço tecnológico. Todos esses aplicativos prestam um serviço importante só que alguns como Uber o fazem à revelia das leis, porque quem deveria impedir não se preocupou no momento certo.

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