Últimos Apoiadores:

R$ 5,00
09/06
R$ 5,00
13/05
R$ 50,00
01/05
R$ 5,00
28/04
R$ 10,00
23/03
R$ 6,00
03/03
R$ 12,00
11/11
R$ 10,00
10/11
R$ 20,00
07/10
R$ 10,00
01/10

O Estado Inimigo

Por Antonio Carlos Aquino de Oliveira

 

Quando as cidades estão limpas, as estradas perfeitas e cuidadas, o cidadão tem segurança para exercer o sagrado direito de ir e vir, os esgotos estão canalizados e tratados, a água e o ar têm qualidade, o lixo tem coleta e tratamento, a educação qualifica e liberta, a saúde atende as demandas da comunidade, há democracia e liberdade, há respeito ao dinheiro público, a justiça se faz célere, proba e correta, temos um Estado funcionando, cumprindo o seu dever e papel, sem favores e com méritos.

 

Esse tipo de Estado não é sonho, existe e é possível. Entretanto, quando nenhum dos deveres essenciais do Estado é cumprido com um mínimo de decência, eficiência, zelo e respeito, temos o que denomino Estado Inimigo.

 

O Estado Brasileiro, representado pelos três poderes instituídos da república, da forma que existe, opera, funciona e cuida dos recursos e da qualidade de vida dos cidadãos e cidadãs dessa nação, sem sombra de dúvida é um Estado Inimigo. Toda a sua estrutura sistêmica e orgânica foi concebida para não funcionar e, na prática, funciona mal, de forma irresponsável, perdulária, incompetente e por muitas vezes criminosa.

 

A forma com que o Estado Inimigo trata o cidadão comum é perversa, covarde, violenta, cruel, discriminadora, preconceituosa, racista e essencialmente burra, posto que, sem equilíbrio socioeconômico mínimo não haverá possibilidade de desenvolvimento e paz. As mesmas regras de perseguição e burocracia ao cidadão comum não valem para os bandidos de colarinho branco, para as autoridades e os amigos do poder. Não se pode falar do Estado sem deixar de apontar o dedo para quem o opera, quem ocupa os cargos e funções públicas, quem está no exercício do poder. Quem faz o mau Estado são os homens e mulheres do Estado, os agentes públicos. Tudo então se confunde na tragédia, onde o cidadão comum, contribuinte e eleitor convive com o inimigo oculto, financia o falso amigo e não consegue distinguir o mocinho do bandido.

 

Jorge Pontes e Márcio Anselmo, no livro Crime.Gov, contam detalhes reais da estarrecedora história recente do Brasil, que, por não provocar consequências, mudanças de atitude e reações na opinião pública, nos levam a crer que qualquer mudança significativa na nossa realidade, se acontecer, será perceptível nos próximos séculos. Prova disso é que, decorridos cinco anos da Lava Jato, o poder judiciário está intocado, estados e municípios estão inabaláveis em suas formas tradicionais de ser e agir, em suas estruturas arcaicas, na impunidade e na marginalidade sistêmica que eles denominam “Crime Institucionalizado”.

 

O extinto jornal Bahia Hoje publicou, em 1995, meus artigos “Limites da omissão” e “A reforma necessária”. Em 1996 o Jornal A Tarde publicou um artigo meu intitulado “Brasil, um país difícil” e a Tribuna da Bahia o artigo “Um governo covarde”. Em 2002, o mesmo periódico publicou os artigos “Em defesa dos impostos”, “Cumplicidade e conivência” e “Uma chance à cidadania”. Em 2019, passados mais de vinte anos, o Estado continua sem uma reforma séria, profunda e modernizadora. A sociedade, embora mais informada e até ativa, continua omissa e desatenta para o desafio de ser agente das transformações. Os governos continuam covardes, os impostos sendo roubados e mal aplicados e a cidadania sem chances de sobreviver como descrevi no meu texto “Um sócio indesejado” publicado em 2002.

 

Textos, palavras e discursos são insuficientes. A omissão sustenta o desalento, mas a ação dará amparo à nossa esperança.

 

Aquino 2019

 

 

 

 

 

 

 

 

Antonio Carlos Aquino de Oliveira
Administrador, Consultor, Palestrante e Empresário do setor de publicidade.
[email protected]

(Visitas totais 57)

Apoie o jornalismo independente do Portal Ei Táxi!

Contribua para que continuemos trazendo informações relevantes e imparciais. O Portal Ei Táxi não aceita publicidade governamental ou de campanhas eleitorais, garantindo total independência editorial. Apoie com qualquer quantia através do Pix: [email protected] (titular: Web Tech Digital Solutions Ltda, CNPJ 53.653.786/0001-02).

Aviso Importante sobre os Comentários

Em razão da recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), informamos que os comentários nas matérias do Portal Ei Táxi estão, a partir de agora, desativados.
Lamentamos profundamente ter que tomar essa medida. Entendemos que a livre manifestação dos leitores é essencial para o debate democrático. No entanto, diante da insegurança jurídica gerada por essa nova interpretação do STF, que transfere aos blogs, portais, sites e redes sociais a responsabilidade imediata por conteúdos de terceiros, decidimos, com responsabilidade, suspender a área de comentários.
Esperamos que este cenário seja revisto no futuro, e que a liberdade de expressão possa ser exercida com equilíbrio e segurança para todos.
Agradecemos a compreensão.

Cadastre-se em Nossa Lista de Transmissão

🚖 Receba notícias, ofertas e informações do mundo do táxi direto no seu WhatsApp.

Siga o Nosso Canal de Notícias no WhatsApp

🚖 Receba notícias, ofertas e informações do mundo do táxi direto no seu WhatsApp. Não é grupo, apenas recebimento das atualizações. Privacidade do seu número.

Siga nossas Redes Sociais

Você pode se interessar

A comparação inadequada: porque motoristas de aplicativo não são taxistas (nem autônomos) – Por Ilan Fonseca de Souza

21/11/2025

A Retórica da Malandragem e a Gestão do Trânsito

21/10/2025

Ford, Toyota e a lição que o táxi nos ensina sobre justiça no Brasil

09/09/2025

Fala, Taxista: Grito às autoridades!

12/08/2025

Fala, Taxista: A quem interessa transformar o táxi em serviço privado?

24/05/2025

Fala, Taxista!: Como salvar o TÁXI no Brasil e no mundo: Uma plataforma nacional para a sobrevivência do taxista

17/05/2025

Siga nossas Redes Sociais