A divulgação de uma nova nota oficial da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), nesta segunda-feira (1º), trouxe de volta a insegurança de centenas de taxistas de Salvador. No comunicado, a pasta afirma que, para o próximo ciclo anual, somente veículos com até dez anos de fabricação poderão passar pela vistoria, o que significa, na prática, que um carro que completa dez anos em 2025 precisaria ser substituído de imediato por outro “com ao menos um ano mais novo”.
Esse trecho — aparentemente isolado na nota — contradiz frontalmente a informação transmitida pelo presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, na última sexta-feira (28), quando afirmou que a Semob havia garantido a permanência dos veículos ano 2015 na frota até a última vistoria de 2026.
A divergência levanta questionamentos sobre o que realmente está valendo e sugere uma disputa no ar entre a AGT e a Semob ou internamente na própria secretaria.
O que diz a nota da Semob
O trecho que provocou o impasse afirma:
“Um dos itens avaliados é a idade máxima do veículo, que deve ter até dez anos de fabricação para o próximo ciclo anual. Ou seja, caso haja necessidade de substituição do veículo para o ato da vistoria, o taxista poderá substituir o veículo que já tenha dez anos por outro com ao menos um ano mais novo dentro da legislação vigente.”
Na leitura literal, isso derruba o entendimento de que o veículo poderá ultrapassar a idade-limite durante o ano, desde que tivesse entrado na vistoria anterior — prática adotada pela gestão nos últimos anos, segundo Denis Paim.
AGT rebate: “Informações truncadas”
Em contato com o Portal Ei Táxi, Denis Paim demonstrou surpresa com a nota divulgada pela Semob:
“Não entendi o motivo dessas informações truncadas, porque foi confirmado que não teria impedimento referente aos veículos que fariam dez anos em 2025, pois sempre foi dessa maneira. Na última vistoria, quem fizesse, sempre tinha o final da vistoria do próximo ano. Não entendo qual o interesse agora de reverter, mas vou buscar averiguar e entender o motivo dessa tentativa de rebater a minha informação. Qual o interesse? Pois os taxistas não poderão ficar prejudicados por conta de uma informação truncada.”
Paim reafirma que a diretoria da AGT saiu da reunião de quarta-feira (26) com a garantia explícita de que o “prazo extraoficial” aplicado tradicionalmente seria mantido — permitindo, portanto, que veículos ano 2015 ficassem até o fim de 2026.
Briga política, ruído interno ou disputa por protagonismo?
A contradição pública entre a Semob e a AGT levanta suspeitas sobre possíveis tensões, envolvendo:
- Descompasso interno na Semob,
- Disputa por protagonismo na negociação com a categoria,
- Ou até mesmo interesses políticos dentro da estrutura administrativa.
A AGT vinha acumulando vitórias recentes, como a ampliação da idade máxima da frota — de 8 para 10 anos (combustão) e 12 anos (elétricos) — sancionada em outubro pelo prefeito Bruno Reis.
A nova nota, porém, gera a sensação de que alguém dentro da administração estaria tentando “puxar o tapete” ou desautorizar o acordo anunciado pela entidade.
Por enquanto, não há manifestação oficial da Semob explicando o motivo da divergência.
Denis Paim afirmou ao Portal Ei Táxi que irá buscar esclarecimentos diretamente com o subsecretário Marcos Passos para evitar prejuízos à categoria.
O Portal Ei Táxi seguirá acompanhando o caso e trará novas informações assim que houver posicionamento da gestão municipal.




