
Por Antonio Carlos Aquino de Oliveira
Com a melhor das intenções, sob a ótica da minha formação profissional como administrador e a inspiração de um pai preocupado, correndo o risco de críticas, vou abordar um tema que não domino, mas que vem apresentando relevância nas mídias e nas estatísticas policiais, angustiando e destruindo famílias. Que sejam construtivas as críticas que possam vir.
Fui professor, sou filho e sou pai de duas mulheres, e isso me ajudou a decidir por essa manifestação.
Nenhum assassinato é aceitável, perdoável e tolerável, a menos que seja em legítima defesa. É desesperador ver como a vida vem sendo banalizada no Brasil do século XXI, fruto de uma sociedade seriamente adoecida por falta de educação e valores. O embrutecimento decorrente da ignorância, das doenças mentais, das drogas, do álcool, do fanatismo e da bestialidade humana rompeu todos os limites. E, assusta saber que esses limites estão sendo absurdamente ampliados e tolerados. A isso se soma a falência total e absoluta das instituições do Estado brasileiro, a sua total incapacidade de fazer cumprirem-se as leis e punir infratores, proteger nossa gente contribuinte, eleitora e cidadã.
Afirmo que todo bandido é um covarde na alma. Todo covarde, um imbecil na essência. Para piorar, nosso país não tem pena de morte ou prisão perpétua, assim sendo, defendo que quem agride ou mata uma mulher, além do mais alto rigor da lei, deveria passar por um processo educativo, fazendo cursos específicos para total “reciclagem” civilizatória e sendo obrigado a trabalhar em delegacias de mulheres, hospitais psiquiátricos, clínicas de reabilitação ou presídios femininos como penas complementares.
Às minhas filhas e amigas sempre alerto e peço total atenção com a conduta, postura, hábitos e costumes das pessoas com quem se relacionam. Pessoas civilizadas, educadas, gentis são sempre as desejadas e queridas. Entretanto, é preciso manter distância de pessoas grosseiras, deselegantes, agressivas, incivilizadas e mal-educadas. Não é saudável e natural, amor, paixão e atração por pessoas desequilibradas ou violentas. Cabe aos profissionais qualificados – psiquiatras, psicólogos, a polícia e a justiça – cuidar dos homens com problemas mentais, desvios de comportamento e de personalidade. Conviver com esse tipo de doentes não compete às mulheres normais.
Como homem, entendo que não existe nada mais saudável que uma relação respeitosa, afetuosa, generosa, carinhosa, amiga, leal e verdadeira com as mulheres, com gente como a gente. Como ser humano, sei de todas as dificuldades naturais dos relacionamentos entre pessoas, de formações e personalidades diferentes, com os valores de cada um, os estresses decorrentes da vida moderna, tensões e raivas, impaciências e angústias, medos e intolerâncias, dos sentimentos e emoções individuais, mas nada, nada justifica agredir ou matar, pois, isso não é ato de amor. Ser Macho é fácil, natural e instintivo. Ser Homem é mais complexo, desafiador. É tarefa para quem tem a verdadeira coragem, masculinidade e a dignidade do gênero.
É de fundamental importância que sejam denunciados todos os casos de agressões, pois, sem a denúncia formal não se consegue proteger e, eventualmente, evitar um possível feminicídio. É preciso identificar as raízes e origens dessa terrível epidemia, que passa pela falta de educação doméstica e formal, pelo desequilíbrio econômico e social do país, pela falta de planejamento familiar, pela irresponsabilidade paternal e maternal, pela ausência do Estado e outras mazelas da nossa contemporaneidade que não devem ser relegadas, negligenciadas e toleradas.
É preciso que cada mulher se cuide, ame e respeite, para que, no alto dos seus sagrados e inegociáveis direitos, possa exigir e lutar por verdadeiros e genuínos cuidados, carinho, amor e respeito de tudo e de todos. É preciso prevenção, evitar riscos, observar sinais de alerta básicos, do cotidiano.
Aos seus filhos homens e à sua única filha mulher minha mãe dizia: “Nunca dê espaço para agredir ou ser agredido, pois, quando acontece, não há retorno (tapa dado ninguém tira)”. É preciso prevenir, evitar, proteger-se. É preciso reagir, denunciar.
Entre pessoas civilizadas não existe guerra de sexos, existe igualdade de deveres e direitos, maravilhosas diferenças naturais e essenciais dos complementares.
Por mais amor e mais paz.
Antonio Carlos Aquino de Oliveira
Administrador, Consultor, Palestrante e Empresário do setor de publicidade





