
Por Conrado Matos
Essa minha crônica desse mês é para a chamada de uma reflexão acerca de como devemos nos relacionar com as diferenças dos outros, como ouvir e aceitar a opinião dos outros. Tema abusivo que tenho notado nas relações sociais. Como trazer para um discurso sério e debater sobre o problema. As pessoas estão passando dos limites e a falta de ética e moral tem ultrapassado a ordem dos direitos humanos.
A questão de lidar com as diferenças tem se tornado um caso de intolerância entre as pessoas nessa contemporaneidade. Basta o indivíduo gostar de algo ou não gostar, para arranjar um monte de inimigos. Eu fico observando que como é que uma pessoa gostava das músicas de um cantor e só porque ele tem uma posição política, a pessoa deixa de gostar. Estou falando aqui de Chico Buarque de Holanda. Só porque Chico apoia o Lula, eu tenho que deixar de ouvir as canções dele. Nem pensar, eu continuo ouvindo. Adoro ouvir “Fado tropical” de Chico. É para mim um lindo poema. Ouço Chico Buarque desde meus 16 anos de idade. E quando ouço “A Banda” é motivo de me deixar pensando sobre o quanto Chico é importante para nossa história.
Lidar com as diferenças está sendo difícil. Esse obstáculo de relacionamento é muito velho. Alguma pessoa dotada de uma grande dose de fanatismo quando sabe que a outra pessoa é de uma religião diferente da dela, já é motivo de excluir da sua companhia. Essa atitude preconceituosa tem afetado pessoas que optam por um político ou quando torce por um time de futebol. A falta de empatia entre as pessoas está em baixa e percebemos que a ambivalência do ódio tem se espalhado, e contaminado toda humanidade. O vírus do ódio vai passando de uma pessoa para a outra. A rede social, por exemplo, é quem mais contribui para essa proliferação maldita.
Recordo-me que quando eu era menino, morando no interior, tinha gente que quando não gostava de outra não passava nem pela calçada da casa. Seguia andando e em dado momento dava um pulo da calçada para pista e baixava a cabeça para não olhar para a pessoa. Repito, por isso que digo que esse comportamento é velho.
Eu pergunto: Por que tanto ódio? Vamos priorizar pela empatia e o amor. A raiva do outro é motivo para que venha surgir mais conflitos, guerras e derramamento de sangue. Já basta o nosso passado, onde as pessoas brigavam por religião, política e colonização de terras. Será que é obrigado alguém concordar com tudo que digo? Quando pensamos assim é autoritarismo e fundamentalismo. Precisamos valorizar a paz entre as pessoas e para isso seria necessário desprendermos das nossas ideologias e deixar o outro pensar livremente. Democracia e igualdade para todos. Vamos dar lugar à empatia, o amor e a compreensão.
Conrado Matos é Psicanalista, Licenciado em Filosofia e Bacharel em Teologia; pós-graduando em educação em gênero e direitos humanos pelo Neim/Ufba.
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