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A origem da tragédia chamada Brasil – Parte III – Por Antônio Carlos Aquino de Oliveira

Quadro de escola - a, b, c

Em oportunidades anteriores, escrevendo ou falando, defendi que o ensino público fundamental I no Brasil fosse federalizado. O que dá sustentação às grandes edificações são as suas bases sólidas, óbvio. Quem conhece bem o Brasil, atento à realidade e honesto nas avaliações que faz, sabe que a maioria dos municípios brasileiros tem sido incapazes de cuidar, preparar e educar o nosso maior tesouro: as nossas crianças.

É na infância que se ensina e se desenvolve o gosto pela leitura, hábito fundamental para toda a vida, indispensável à formação e desenvolvimento humano.

Sem dúvida alguma, um dos maiores problemas enfrentados pelos professores de cursos médios e superiores no Brasil é terem que trabalhar com alunos sem base, despreparados, absolutamente incapazes de absorver conteúdos mais complexos, para os quais são indispensáveis os aprendizados anteriores.

É uma irresponsabilidade sistêmica inaceitável dar progressão curricular a um jovem estudante sem as condições mínimas necessárias. Uma maldade, uma farsa de prejuízos incalculáveis.

Na esteira dessa tragédia anunciada que tomou conta do país a partir da negligência com a educação do seu povo, diversas formas de violência contra professores, alunos e dirigentes tornaram-se frequentes, como mais um crescente mal a assombrar a educação brasileira, um jeito cruel que o país encontrou de piorar o que já está insuportável.

Um estudante, um mestre ou um trabalhador do setor de educação ser fisicamente agredido, ou até mesmo assassinado, em um ambiente escolar revela muito mais que um sistema falido, equivocado; demonstra de forma assustadora o nível de psicopatia e demência de uma sociedade.

Durante muito tempo me incomodou a existência de escolas, verdadeiros templos do conhecimento, com muros altos, grades, correntes, seguranças e outros meios de controle que deveriam se aplicar apenas a presídios.

Entretanto, no país onde a desfaçatez institucional vende a farsa que as leis consertam tudo e que há seriedade na governabilidade, a sociedade assiste, com omissão coletiva, às mais diversas formas de agressões contra alunos, professores e demais servidores da educação, inclusive nas instituições privadas de ensino.

É deprimente ver as condições físicas de algumas unidades do setor de educação agravadas pelas precárias condições de trabalho, ensino e aprendizagem.

Esse país sem lideranças a altura dos seus desafios, sem estadistas, sem postura e compostura não entendeu que educação é investimento e que não existe prejuízo maior que um povo ignorante.

Tudo isso fica muito mais complicado com os desafios do século XXI, dos novos empregos ou a ausência deles, com o avanço das tecnologias e da robótica, com a inteligência artificial entre muitos outros onde o conhecimento faz toda diferença. Se o atraso da educação brasileira já era um absurdo inaceitável, agora está a caminho de se tornar uma imensa tragédia.

Antônio Carlos Aquino de Oliveira, Colunista, Falando Sério

 

 

 

 

Antônio Carlos Aquino de Oliveira

Administrador, Consultor, Palestrante e Empresário do setor de publicidade

[email protected]

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