
Por Antonio Carlos Aquino de Oliveira
“Quem é você, diga logo que eu quero saber o seu jogo… amanhã tudo volta ao normal” Noite dos Mascarados – Chico Buarque. Carnaval passou e um novo ano se inicia: Oportunidade de mudanças!
Ao simular e projetar hipoteticamente os números que movimentam as universidades, faculdades, igrejas e religiões, com as suas mais diversas formas de promoverem o afastamento das pessoas da realidade do mundo por teorias ou crenças, os resultados são estratosféricos, inimagináveis.
Nada contra a liberdade de religião, as crenças e a fé de cada um. Nada contra a educação formal, técnica, científica. Muito pelo contrário. Cuidar da cabeça e da alma é fundamental, essencial. O que quero abordar nesse artigo é a urgente necessidade de conciliar e integrar o mundo acadêmico e espiritual à realidade do Brasil e do mundo como forma de mudá-los para melhor. As escolas precisam gerar transformações, mudanças e melhorias na sociedade. As religiões precisam promover avanços na evolução humana, generosidade, harmonia, respeito ao próximo, compaixão no planeta.
As universidades não podem continuar formando pessoas para um mundo que não existe mais, para umas realidades hipotéticas, assim como as igrejas não devem continuar lavando as mentes humanas para atribuir a Deus as responsabilidades que são das pessoas, individuais e coletivas. É preciso equilíbrio nessas relações e utilidade nessas equações. O mundo precisa e a sociedade carece de razão, sensatez, lógica, conhecimento, ciência ética, conteúdo e inteligência, mantendo todas as melhores, mais elevadas e mais saudáveis características e deveres das escolas e dos templos.
Quando um currículo ou um título não expressa a verdadeira competência e conhecimento de um profissional, ele é uma farsa. Quando um ser humano invoca o nome de Deus e tem práticas violentas, imorais e anticristãs no seu cotidiano, ele é uma mentira, um erro a ser corrigido. Longe de serem banidos, proscritos, pessoas fora da realidade do mundo precisam ser trabalhadas, incluídas, acolhidas, trazida para a verdade do dia a dia que tem custos e responsabilidades.
Os números de jovens e adultos “nem-nem” – nada fazem, não somam, mas custam – e dos profissionais “inorgânicos” – nada acrescentam, mas custam caro – são alarmantes e isso nos coloca no dilema de termos que sacrificar os trabalham e que mantém os pés e as mãos na terra, em favor dos que apenas tem as cabeças nas nuvens. É naturalmente humano que as cabeças possam voar e sonhar, desde que os pés permaneçam no chão, as mãos e braços na labuta da autossustentabilidade, da contribuição coletiva.
Em tempos de revelações, urge que as máscaras caiam, que as cortinas se abram, que as luzes se acendam para permitir que as sujeiras apareçam, as deficiências brotem, as carências se apresentem, as fraquezas sejam expostas, os defeitos sejam questionados para que a realidade nua e crua seja confrontada e trabalhada, as verdades dos fatos sejam esclarecidas e resolvidas sem conveniências, sem jogos de interesses menores e brincadeiras de faz de conta.
Ouvi de uma senhora empreendedora, casada, mãe e avó, no interior da nossa Bahia, que trabalha doze horas por dia, a seguinte frase:
“Um homem, ou uma mulher, que aos vinte e quatro anos ainda depende de pai e mãe para viver e sobreviver tem problema, ou não é homem ou mulher de verdade”. Não questionei e nem respondi, apenas guardei a reflexão/desabafo para provocar os meus leitores sobre o que chamo de necessidade de tirar as fantasias, deixar cair as máscaras.
Sonhar é sagrado, realizar sonhos é desafio, viver somente na fantasia é muito complicado para um mundo tão complexo. Pessoas fazem escolhas e essas escolhas têm consequências!
Antonio Carlos Aquino de Oliveira
Administrador, Consultor, Palestrante e Empresário do setor de publicidade






1 comentário em “Tirem as fantasias!”
Gostei do artigo. Realmente nas últimas décadas não conseguimos avançar em conhecimento neste país. O Brasil tem algumas organizações anfóteras, isoladas como ilhas improdutivas, que expõem máscaras que atendem a seus próprios interesses. Você enumerou bem as características dessas ilhas xenônicas e apenas para lembrar um exemplo que o indivíduo que se diz cristão e vive e uma duplicidade de carácter como se vê na terça-feira de carnaval e no dia seguinte com a cara limpa (sem uma das máscaras) vão à igreja para que um padre marque sua testa com um cruz de cinzas. É o que penso.
Comentários encerrados.