
Por Dra. Cecilia Almeida
As reações aos medicamentos vêm aumentando a cada dia devido ao aumento da utilização de novos fármacos e produtos biológicos para tratamento das doenças. A alergia ou intolerância aos medicamentos pode acometer qualquer indivíduo, alérgico ou não, e pode depender da dose ou via de administração. Já se sabe que tanto a eficácia quanto a adversidade ou resistência aos remédios tem uma base genética. A pessoa pode ser susceptível a reações alérgicas e aos efeitos colaterais dos remédios.
Sempre que surgir um sintoma coincidente com o início de um tratamento medicamentoso deve-se suspeitar de uma possível reação adversa, e esta poderá ser de natureza alérgica; uma erupção, uma coceira, urticária (placas disseminadas pelo corpo, que aparecem e desaparecem em horas), inchaço (angioedema), asma (chiado no peito), rinite (espirros, coriza, obstrução nasal) diarreia, dor de cabeça, cólicas intestinais etc. O quadro clínico poderá ser agudo ou crônico. A relação causa-efeito é demonstrada quando os sintomas desaparecem com a suspensão do remédio e/ou substituição por outro de formulação química diferente. Ainda podem ser observadas reações cruzadas entre medicamentos, como por exemplo, entre a aspirina e os antiinflamatórios clássicos.
A alergia medicamentosa é um efeito adverso a um medicamento que tem um mecanismo de natureza imunológica. É menos comum que outros efeitos colaterais observados com o uso de remédios para os diferentes tratamentos médicos. Quase todos os medicamentos tem algum risco de provocar reações adversas e as reações imuno-alérgicas podem ser muito importantes, pois impedem a continuidade de uso das drogas, vindo a prejudicar o controle e tratamento das doenças para os quais foram prescritas. A reação alérgica mediada por IgE é aquela que provoca o surgimento de urticária e/ou angioedema, placas e coceiras no corpo, asma, rinite, edema de glote e algumas vezes, outros sintomas como queda da pressão arterial, caracterizando o choque anafilático. O uso de combinação de medicamentos também pode contribuir para um aumento dos efeitos colaterais.
As reações alérgicas podem variar de discretas a bastante graves, e inclusive ser potencialmente fatais. Geralmente são imprevisíveis, o que obriga os médicos e pacientes a estarem sempre atentos. Na dúvida o alergista deverá ser consultado para orientar o paciente.
Como se sabe, a sensibilização alérgica ocorre ao longo do tempo, após um contato anterior com a substância sem o desencadeamento de sintomas. Neste período é que existe a formação dos anticorpos IgE. Para as pessoas que já sofreram reação prévia com esses fármacos, e necessitam de nova exposição aos mesmos remédios é aconselhável receber tratamento preventivo com a orientação de um médico especialista.
Nenhum medicamento é completamente seguro e o risco/benefício deve sempre ser avaliado. Ocasionalmente efeitos colaterais, inclusive alérgicos podem surgir.
A história clínica de alergia a medicamentos é muitas vezes sugestiva e a relação de tempo de exposição me ajuda muito a esclarecer a causa de uma reação medicamentosa.
Qual a medida a ser adotada em caso de alergia medicamentosa?
Documentar a alergia medicamentosa e se precaver para não usar o remédio suspeito. Os familiares próximos também devem conhecer essa reação e serem orientados para evitar o uso destes medicamentos e aqueles que possam apresentar reações cruzadas, quando forem acompanhá-los a emergência ou atendimentos médicos. O paciente alérgico a medicamentos deve sempre procurar saber qual o remédio que lhe foi prescrito e que vai lhe ser administrado, principalmente nos atendimentos de emergência. O paciente ou a sua família deve informar as escolas, locais de trabalho, médicos, clínicas, e hospitais, os diagnósticos fornecidos pelo alergista, que é quem vai lhe ajudar na orientação das escolhas para o tratamento medicamentoso, para a prevenção de reações alérgicas medicamentosas. O uso de alertas médicos em placas de identificação, pulseiras, braceletes, e também nas carteiras de identidade e nos prontuários médicos, torna-se fundamental e importante na conduta preventiva.
Maria Cecilia Freitas de Almeida
Médica Alergista/Imunologista; Especialista pela Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia e Medica do Serviço de Alergia da SESAB – CRM – BA 7964
E-mail: cicalmeida@gmail. com





