TeleTáxi – Salvador
Atuando há 40 anos na área, Jorge Freitas (A-0870), 60 anos, supervisor da Teletáxi Salvador, diz que nunca enfrentou algo como o novo coronavírus. Segundo ele, a rádio sofreu perda de 80% na receita, reduziu o valor da mensalidade cobrada aos filiados, mas ainda assim, o número de associados caiu de 350 para 160.

É na ideia do “novo normal” que Jorge se agarra para o futuro da categoria. Já em fase de flexibilização do isolamento social em Salvador, ele afirma que as corridas já estão aumentando e os associados retornando à empresa.
“O número de corridas tá aumentando, estamos com um número melhor do que tava, cresceu. Temos planejamento pra buscar mais serviços pro táxi. Tentando implantar serviço de compartilhamento de corrida”, afirmou.
RodoTáxi – Salvador
Litiano Almeida (6928), 48 anos, é menos otimista. O responsável pela RodoTáxi acredita que situação semelhante à “pré-pandemia” para os taxistas só deve ocorrer em 2021.

“Foi complicado. A gente tem 160 cooperados, mas só ficaram trabalhando, em média, 50. Cerca de 70% de perda de receita. Em termos de trabalho, acho que só próximo ano. Esse ano não conseguiremos melhorar o sistema, não”, acredita.
Elitte Táxi – Salvador
Marcos Gondim, 53 anos, embora reconheça a dificuldade, aposta no futuro. Segundo ele, que é sócio-diretor da Elitte Táxi, a empresa já está desfrutando de uma nova realidade.

A Elitte Táxi registrou perda de 80% na receita. De 300 carros filiados, sobraram 120. “Inúmeros motoristas se ausentaram por isolamento e outros porque não tinham porque ir pra rua, já que não tinha serviço”, lembra, na espera de que esse cenário esteja apenas no passado.
“A gente tem que ser resiliente e pensar… Poxa, eu não tive problema de depressão, apesar da ansiedade e preocupação, mas eu sabia que ia atravessar a nado e ia me causar fadiga. Se eu já sei da fadiga, tenho que nadar pensando em me recuperar. Cedo ou tarde vou chegar na outra margem”, diz, em tom de esperança.
Comtas – Salvador

(C-0247), de 58 anos, se viu obrigado a ser criativo em meio a uma tragédia na saúde pública, quando a pandemia do novo coronavírus assolou o País, em meados de março deste ano. Comandando a Cooperativa Mista de Motoristas Autônomos de Salvador (Comtas) desde o ano passado, nunca tinha sido obrigado a lidar com uma situação como essa.
Segundo o presidente da Comtas, a cooperativa teve perde de receita de cerca de 90%. O jeito foi cortar gastos, inclusive aderindo ao programa do Governo Federal para suspender contratos de funcionários e arcar com parte dos valores, enquanto o resto era subsidiado pelo poder público.
“Buscamos os parceiros mais próximos para postergar pagamentos, ter abatimento. Tivemos ajuda muito grande da Vinci [responsável pelo aeroporto de Salvador], que suspendeu o pagamento para trabalhar ali”, explicou.
Viterbo conta que conseguiu reduzir uma despesa mensal de R$ 155 mil, para R$ 56 mil. Para isso, foi necessário mudar a cooperativa de pavimento. “Abrimos todas as janelas, diminuímos os gastos com luz, ar-condicionado. De R$ 1,500 mil, foi pra R$ 130 a luz”, disse.
O taxista também sentiu-se desamparado. “Quem ajudou o motorista de táxi? A pandemia vai acabar, certo, mas quem ajudou? O posto de combustível, onde abastecemos 24hs, a empresa de pneu, concessionária onde ficamos o tempo todo…Nenhum deles ajudou”, desabafa Viterbo.
Coomat – Candeias
Silvestre Gomes, 76, que está há 30 anos lidando com as dores e amores do taxista, sabe bem o que Viterbo relatou. À frente da Cooperativa Mista dos Motoristas Autônomos de Transportes (Coomat), em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), o veterano viu a fé como uma alternativa.
“É chamar por Deus. A maior dificuldade que tivemos foi financeira. Empresas pegaram muitos carros nossos, mas não pagavam no dia exato. Perdemos 40% de receita”, lembra.
Para conter os gastos, Silvestre se viu obrigado a tomar empréstimos em bancos, suspender obras e demitir funcionários da área de limpeza. A cooperativa, que tem 130 cooperados, registra um gasto por mês de R$ 250 mil.
Unitáxi – Feira de Santana
Fábio Vaccarezza, alvará 0885, 38 anos, responsável pela Unitáxi, em Feira de Santana, esperava que o poder municipal e estadual apoiasse a categoria. “A categoria não teve ajuda nenhuma do governo municipal e estadual. Somente o auxílio federal. Ficamos praticamente estagnados, porque, quando fechou o comércio, praticamente o telefone da empresa não tocava o dia todo”, desabafa.

Dos 130 associados, a empresa perdeu 30 e sofreu 80% de queda na receita. Foi obrigada a reduzir a mensalidade em 50% e demitir funcionários.
“Vou ser sincero. A expectativa para a categoria de táxi não é muito boa, não. Estamos investindo num aplicativo na cidade. Fazer tipo o TáxiMobi [em Salvador], vê se investem pra retomada”, espera.
Cooptáxi – Ilhéus
A pandemia do novo coronavírus também obrigou Renato Silva, alvará 9200, 56 anos, a se reinventar, mas ele conta que a equipe da Cooperativa de Rádio Táxi (Cooptáxi) de Ilhéus já estava se renovando.

“Em março, faltando uns 5 dias pra chegar tudo, fizemos um curso pelo SEST/SENAT [Serviço Social do Transporte e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte]. A expectativa é que essa tempestade passe e que a gente volte ainda no final do ano com força total”, afirmou, apesar de lamentar a perda de cerca de 100% na receita.
Digitáxi – Dias d’Ávila
A história de Márcio Estrela, alvará 41370, 41 anos, destoa das de seus colegas. Em meio à pandemia do novo coronavírus, o taxista, responsável pela Digitáxi, em Dias d’Ávila, viu o faturamento aumentar em cerca de 40% de março até este mês de setembro.

“Por incrível que pareça foi só sucesso. Nunca ganhamos tanto dinheiro como foi nessa pandemia”, confessa, apesar de lamentar as consequências negativas causadas pela covid-19 na categoria.
Ele explica o sucesso: as empresas do setor industrial do município suspenderam os ônibus e contrataram o serviço da Digitáxi. “Tivemos que pedir ajuda a outras cooperativas pra dar conta. Lamentamos pelas vidas que foram perdidas. Com tudo isso que aconteceu, prefiro que a pandemia acabe”, conta Estrela.




