Um serviço que vinha se consolidando como referência de organização e atendimento ao folião acabou marcado por falhas operacionais neste Carnaval. As cooperativas Táxi Comtas e Táxi Coometas enfrentaram problemas que vão desde atraso na montagem da estrutura até conflitos com agentes de trânsito — um cenário que expõe desorganização e levanta dúvidas sobre o alinhamento entre a Secretaria Municipal de Mobilidade de Salvador e a Superintendência de Trânsito de Salvador.
A situação chama ainda mais atenção porque o ponto especial no Circuito Dodô já chega ao sexto ano consecutivo, sendo considerado estratégico para moradores e turistas que buscam transporte com conforto e segurança ao final da festa.
Ponto de Ondina: estrutura atrasada e improviso
Apesar da previsibilidade do evento, a estrutura do ponto foi montada apenas neste sábado (14). Na quinta-feira (12), cooperados denunciaram a ausência total de sinalização — sem placa, sem blimp (balão de identificação) e sem toldo para proteger os passageiros.
Sem a demarcação adequada, o espaço foi ocupado por carros particulares e até viaturas do Corpo de Bombeiros, impedindo a formação correta da fila de táxis.
A placa só apareceu na noite de sexta-feira (13). O toldo, apenas na tarde deste sábado. O blimp, que facilita a visualização do ponto à distância, simplesmente não foi instalado este ano.
A pergunta que fica é inevitável: como um ponto que já faz parte do planejamento do Carnaval consegue enfrentar os mesmos problemas básicos?
Para os cooperados, não se trata de um detalhe — mas de uma falha que impacta diretamente a visibilidade do serviço e, consequentemente, a geração de corridas.

Agente afirma que táxis não ficariam no local
Como se a falta de estrutura não bastasse, um agente da Transalvador, conduzindo a viatura 4424, teria informado aos taxistas que eles não permaneceriam naquele ponto durante o Carnaval.
A declaração causou insegurança entre os profissionais, que já estavam autorizados a operar no local.
Afinal, quem define o planejamento? E por que a informação não chega de forma clara para quem está na linha de frente?
Aeroporto: ampliação barrada e denúncia de arrogância
Outro episódio ocorreu no aeroporto. Segundo o diretor de operações da Comtas, Reginald Cohim, havia um acordo com a concessionária Vinci Airports para ampliar de 10 para 14 o número de veículos na fila dos táxis especiais, atendendo à alta demanda do Carnaval.
No entanto, na manhã deste sábado (14), uma agente identificada como Patrícia teria ordenado a retirada dos quatro veículos adicionais.
De acordo com o relato, a abordagem foi feita de forma autoritária.
“É um absurdo isso! Ela manda em todo mundo. Manda no aeroporto, na Transalvador, manda na Semob, se duvidar até no prefeito. Outra agente ainda veio me pedir desculpas pelo que ela fez”, afirmou.
Se houve acordo para ampliar a oferta, por que ele não foi respeitado? Faltou comunicação interna ou sobrou excesso de poder individual?
Falta de comando ou excesso de desencontro?
Os episódios levantam questionamentos que não podem ser ignorados:
- Como um ponto previsto há anos não estava estruturado antes do início da operação?
- Por que o blimp não foi instalado, mesmo sendo um recurso essencial para orientar os foliões?
- Existe alinhamento real entre Semob e Transalvador ou cada órgão segue seu próprio roteiro?
- Com que respaldo agentes alteram decisões operacionais já definidas?
- Os superiores têm conhecimento dessas abordagens? Se têm, por que nada muda?
- Até quando taxistas serão tratados como coadjuvantes de um serviço que ajudam a sustentar?
E uma pergunta maior se impõe:
Onde está a gestão para evitar que erros previsíveis se repitam justamente no maior evento da cidade?
O impacto vai além da categoria
Quando falta organização em um ponto oficial, não é apenas o taxista que perde — o passageiro também fica sem referência, enfrenta mais dificuldade para encontrar transporte e pode acabar recorrendo ao serviço irregular.
Em um evento do porte do Carnaval de Salvador, planejamento não deveria ser diferencial — deveria ser o mínimo esperado.
O espaço permanece aberto para que os órgãos citados se manifestem.




