Por Daniel Júnior
Grande Recife – Taxistas do Grande Recife relataram ao jornal Ei, Táxi os episódios de violência que já vivenciaram enquanto trabalhavam e criticaram a ação da polícia durante as abordagens. O Ei, Táxi tentou obter dados da Secretaria de Defesa Social de PE (SDS-PE) sobre o número de assaltos e outros crimes contra taxistas, porém a SDS-PE informou, por meio de nota, que a área de estatística não contabiliza informações desse tipo.
Em outubro de 2019, o taxista Maurício Pereira (TP 865), que trabalha no ramo de táxi há seis anos, foi vítima de um assalto no bairro do Jordão, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Maurício chegou a entrar em luta corporal com o criminoso. “Um indivíduo solicitou corrida no bairro do Jordão. Depois anunciou um assalto. Com aquela situação, entramos em luta corporal, e a minha sorte foi que ele estava desarmado. Ele levou o meu aparelho celular. Graças a Deus, acabou tudo bem. Mas se ele estivesse armado, a história poderia ter terminado de outra forma”, afirmou Pereira.
Maurício também criticou a ação da polícia quando aborda os taxistas. “Os policiais revistam os taxistas, mas não revistam os passageiros. Nós não temos a autonomia para saber se o passageiro está armado. Os policiais só pedem os documentos dos passageiros, apenas. E essas abordagens estão cada vez mais raras. Tem que melhorar a segurança”, retrucou.
No ramo de táxi há 12 anos, Edmilson dos Santos (TP 1007) foi vítima de assalto por duas vezes. Ele disse que os taxistas estão à mercê da violência. “A última vez que fui assaltado foi no ano passado. É uma sensação de muito medo. Deveria ter mais policiais para abordar os taxistas, e assim revistar todos os ocupantes que estão no veículo, porque nós, taxistas, não sabemos quem levamos no carro”, relatou Santos.
“A polícia quase não aborda os taxistas e muito menos revistam quem estamos transportando. Profissão de taxista é muito perigosa, pois não sabemos a índole de quem está no carro. Eu já fui assaltado, e nem gosto muito de lembrar daquela situação”, falou o taxista Janquerlan Leônidas da Rocha (TP 1871), que trabalha na capital pernambucana desde 1975.
Após as reclamações dos taxistas em relação às abordagens dos policiais, o jornal Ei, Táxi procurou a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) para obter um posicionamento. O órgão informou, por nota, “que todo seu efetivo é orientado a realizar abordagem em todas as pessoas que estiverem em atitude suspeita. No caso dos táxis, os policiais procuram também saber se o transporte está sendo feito de forma regular, como maneira de proteger os passageiros, o motorista e a própria categoria. Boa parte dessas abordagens se dá através da Operação Transporte Seguro, que envolve todos os batalhões situados na Região Metropolitana do Recife”.
MAIS RELATOS
O taxista Hugo Leonardo da Silva Rodrigues (TP 1846) foi enganado por uma passageira. “Uma mulher solicitou a viagem. Fomos até onde ela morava. Chegando, ela disse que estava sem dinheiro, mas que morava naquele local, que eu fosse no outro dia de manhã buscar o valor da corrida, que era de R$ 50. A mulher de fato morava lá, mas quando cheguei no outro dia procurando por ela, uma vizinha disse que ela já era acostumada a fazer aquilo e que não pagava”, explicou Rodrigues.
“Era carnaval. Eu peguei uma corrida de Olinda para o bairro do Ibura, na zona sul do Recife. Quando conclui a corrida, estava indo sentido centro, no bairro do Cabanga, uns caras vieram correndo pra cima do carro para assaltar. Joguei o veículo em cima deles e um caiu. Fiquei tão assustado, que sai do carro para olhar como ele estava. Depois outros vieram correndo, preferi entrar no carro e fui embora. Denunciei o caso na delegacia, mas não adiantou de nada”, disse o taxista Luciano Souza da Silva (TP 5838), que foi vítima de uma tentativa de assalto.

“Fui assaltado na Estrada de Beberibe, na zona norte do Recife. Um rapaz solicitou uma corrida para buscar a esposa dele próximo a uma pizzaria. Quando entrei na rua, tinha três indivíduos me esperando. Assaltaram e levaram meu carro e tudo que estava dentro do veículo. Depois de alguns dias encontrei o táxi no Janga, em Paulista”, relatou o taxista Ednaldo Gomes de Araújo (TP 2823), que atua no ramo de táxi há mais de 20 anos.




