Mais uma eleição se passou e ao fim dela o que mais se ouviu na categoria foi que nenhum candidato taxista foi eleito vereador em Salvador, ou seja, a classe continuará sem representantes na Câmara Municipal.
Poucas horas após o início da contagem de votos, já era possível perceber o descontentamento de alguns taxistas, especialmente daqueles que mais se envolveram na campanha. “Não tem jeito, a classe é desunida, nunca elegerá um candidato”, essa foi uma das frases usadas.
Nesse pleito de 2016, apenas três taxistas entraram na disputa por uma cadeira na “Casa do Povo”, Valdeilson Miguel (1.218 votos) que é presidente da Associação Metropolitana de Taxistas (AMT), Ronaldo Alves (521 votos) e Balbino Freitas (325 votos), ambos taxistas auxiliares. Outra candidatura mais ligada à classe foi a de Magnólia Bereguedê (1937 votos), funcionária da Coordenação de Táxi e Transportes Especiais – Cotae.

Ronaldo Alves e Balbino Freitas são iniciantes em campanha assim como foram em 2012, Jaime Dias Filho (668 votos), Reginald Cohim (517 votos) e Paulo do Táxi (256 votos).

Com exceção dos candidatos Valdeilson e Bereguedê, todos os demais tentaram uma cadeira na Câmara Municipal apenas uma única vez e não puderam se dedicar às campanhas por motivos diversos, especialmente por falta de receita. Como exemplo, o candidato Paulo do Táxi declarou uma receita de R$ 1.530,80, em 2012, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-Bahia). Em 2012, Magnólia Bereguedê (2.117 votos) declarou uma receita de R$ 12.363,80, enquanto que o candidato Valdeilson Miguel (1.350 votos) obteve a soma de R$ 20.936,70, ou seja, ainda que não sejam quantias próximas a de candidatos já tradicionais na política soteropolitana, foram valores bem superiores aos demais taxistas, conforme o TRE.
Na eleição deste ano, até o fechamento desta edição, Balbino Freitas, foi o único candidato que informou receita, R$ 1.007,12, proveniente do Partido Ecológico Nacional (PEN). A declaração final de receitas para a campanha eleitoral deve ser feita até o dia 1/11, segundo o consultor jurídico do Ei,Táxi, o advogado Eduardo Rodriguez.
Desconsiderando a candidatura de Bereguedê, já que ela não é taxista, embora tenha ligação direta, o candidato com larga experiência em campanhas e com quatro tentativas é Valdeilson Miguel. Valdeilson já tentou também se tornar o representante da categoria nas eleições de 2008 (1.875 votos) e 2010 (2.455 votos). Com exceção de 2010, a qual a candidatura foi pra deputado estadual, todas as outras foram pra vereador na capital.

Levando em conta apenas as campanhas municipais, nota-se um declínio de eleitores favoráveis à eleição de Valdeilson Miguel. É importante ressaltar que este ano dois fatores foram atípicos e devem ser levados em conta para uma avaliação sobre o resultado: a categoria está passando por uma situação difícil em virtude da atuação clandestina do transporte realizado pelos motoristas do Uber, isso poderia ter puxado aquele voto de desespero; mas também o apoio explícito que Valdeilson teve do secretário de mobilidade, Fábio Mota, o grande responsável pela mudança de legenda do candidato, que antes disputava pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e este ano disputou pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Inicialmente, é possível considerar que o secretário sofreu uma derrota, ou seja, ou o seu trabalho não deve estar sendo aprovado pela categoria, ou a sua escolha de candidato não foi feliz, ou os dois. Talvez seja um recado dado aos resultados das operações de combate ao clandestino, realizadas pela Secretaria de Mobilidade (SEMOB), ocorridas até aqui.
Sobre outro aspecto, contra fatos não há argumentos; é notório a reprovação da categoria quanto ao nome do candidato Valdeison Miguel, que sequer conseguiu 20% dos votos de cerca de 15 mil taxistas (permissionários e auxiliares), por eleição, sem contar os votos dos familiares.
Diante desses números, eis que surgem algumas indagações: São mesmos os taxistas que estão votando errado? Será que a opção de candidato encampado por alguns líderes e, este ano, pela SEMOB não está equivocada? Os demais candidatos de 2012 e 2016 não merecem uma nova oportunidade? Não seria hora de surgirem novos nomes entre os colegas?
Nos últimos meses, taxistas desconhecidos da grande maioria mostraram-se com potencial de brigar por uma oportunidade dessas, pelo menos aparentemente. Nomes como Carlos Costa (presidente do Sindicato dos Taxistas Auxiliares- SIMATEB), João Adorno (AMT), Gustavo Tavares e Ademilton Paim (ambos da Associação Geral dos Taxistas – AGT) e Major Ubiracy (líder dos taxistas servidores públicos). Sem falar em líderes que já manifestaram desinteresse pelo cargo, como Vicente Barreto da Coometas e Gilberto Silva da Coastaxi.
A categoria precisa avaliar onde está o erro, se no voto ou na opção dele.





