“Tal pai, tal filha” esse é o lema para Luciana Melo que seguiu os passos do pai numa profissão pouco explorada pelas mulheres, a de motorista de táxi. Ex-frentista, ela largou o emprego para assumir a praça do pai quando ele faleceu em 2004. Desde então, já são 16 anos rodando pelo Recife. Entre trocas de carros, começou com um Monza 93 e hoje atua com um Honda Civic (TP 3771), que está prestes a trocar por um Virtus. A taxista acumula histórias e afirma não sofrer discriminação no ambiente de trabalho.
Atualmente com 39 anos, Luciana explica que a relação com o táxi começou como uma diversão, anos atrás. “Comecei na brincadeira, meu pai que era taxista. Nos finais de semana que ele estava em casa, eu pegava o carro e ia rodar no shopping Recife e achava o máximo porque o pessoal dizia: ‘Uma mulher taxista, que massa!’. Era ótimo”, recorda.
Tendo se identificado com a profissão, a taxista, que tem como áreas preferidas de atuação no Recife, os bairros de Boa Viagem, Santo Amaro e Ilha do Leite, diz não ter tido problemas por ser mulher num ambiente tão dominado por homens. “Nunca sofri preconceito por ser mulher no táxi, nem dos meus amigos taxistas, nem do público cliente, pelo contrário, me abraçaram e deram apoio”, afirma, apesar de reconhecer que a falta de mulheres na área é fruto de um pensamento retrógrado. “Existe um preconceito tanto dos pais, quanto dos maridos. Mas digo, nada demais uma mulher ser taxista, é um trabalho normal como qualquer outro”, complementa.
E, uma das vantagens de ser taxista, é vivenciar histórias curiosas. Com Luciana não é diferente e a que mais lhe diverte é a de quando ficou no meio da briga de um casal. “Peguei uma corrida à noite com um rapaz que ia para a Antônio Falcão, mas antes, no meio do caminho pediu para pegar um amigo dele. Ele estava tentando ligar para a esposa, mas o celular dele tinha descarregado, então dei o meu emprestado. O rapaz disse que ia dar plantão no trabalho e só chegaria em casa no outro dia. Mas quando chegamos na Antônio Falcão ele pediu para ir num motel e deixei ele lá com o rapaz”, conta.
A história, porém, não acaba aí, segundo a motorista, no dia seguinte, a esposa do passageiro retornou a ligação várias vezes xingando-a, irritada pelo marido ainda não ter chegado em casa. A princípio, Luciana manteve a mentira do homem, mas depois já estressada, resolveu contar a verdade. “Contei que deixei ele no motel tal hora com um homem do lado dele com altos beijos e que se ela estivesse achando ruim, procurasse ele. O fim da história não sei contar, ou se separaram ou ela continuou com ele, mesmo ele traindo ela com outro”, se diverte.
Por esse e outros motivos que a taxista se diz apaixonada pela profissão e não se vê fazendo outra coisa. “O que me faz permanecer como taxista é a liberdade. Não é um trabalho repetitivo, sempre estou em um lugar diferente, com algo diferente e uma pessoa diferente. Isso me satisfaz”, finaliza.




