A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), por meio da Coordenação de Transportes Especiais (Cotae), divulgou que cerca de 500 veículos foram removidos por transporte clandestino em Salvador entre janeiro e junho de 2025. Segundo o órgão, as ações ocorreram em pontos estratégicos da cidade, com a proposta de combater o transporte ilegal e garantir a segurança viária dos passageiros.
De acordo com os dados informados, dos quase 2 mil veículos abordados nesse período, 87 vans, 151 carros particulares e 130 motocicletas foram flagrados realizando transporte remunerado sem autorização. Entre as irregularidades mais frequentes estão a falta de manutenção dos veículos, documentação vencida ou ausente, tanto do condutor quanto dos automóveis.
A Semob destaca que o transporte clandestino oferece riscos à população por não obedecer a critérios técnicos de segurança e também por não garantir os direitos de quem utiliza o transporte público regular, como meia-passagem, gratuidades e integração tarifária.
Entretanto, apesar da apresentação do balanço numérico, o cenário retratado pela Semob diverge do que é constatado diariamente por quem está nas ruas: os taxistas. O Portal Ei Táxi tem reportado continuamente o abandono da fiscalização nos principais acessos da cidade, como o Aeroporto Internacional de Salvador e a Rodoviária.
“O aeroporto, que é o foco da entrada de turistas, ainda está desassistido pelo poder público municipal e estadual no momento. O que tem no aeroporto é um enxuga-gelo. Eles colocam uma viatura, um fiscal, em horários esporádicos, mas na maior parte do dia não há fiscalização. Depois de 21h, até 7h da manhã do outro dia, o aeroporto fica abandonado. Sábado, domingo e feriado, também, não fica uma viatura. Com essa nova coordenação, retornou um efetivo, mas ainda muito fragilizado. A prefeitura precisa contratar fiscais urgentemente”, disse o taxista Reginald Cohim, diretor operacional da Táxi Comtas.
As denúncias sobre a atuação livre de motoristas clandestinos nestes pontos são recorrentes e incluem relatos de abordagem direta a passageiros, intimidações, fraudes e até violência.
Mesmo com esse cenário visível e documentado, a Semob não apresentou dados específicos sobre fiscalização nesses locais críticos, onde a sensação é de abandono e a omissão das autoridades se torna ainda mais gritante.
“Eles dizem que estão fiscalizando, mas nas principais portas de entrada de Salvador o que a gente vê é o oposto. O taxista que segue as regras está sendo prejudicado todos os dias”, afirma Denis Paim, presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT).
Diante disso, fica a dúvida: onde estão sendo realizadas essas fiscalizações da Cotae? Os números apresentados pela Semob, embora expressivos, não refletem o cotidiano de quem depende do táxi para viver — nem o retrato das denúncias que o Ei Táxi tem publicado ao longo do ano.
Se a fiscalização de fato existe, ela precisa acontecer onde o problema é mais grave e visível.




