Apesar das recentes operações promovidas pela Polícia Militar da Bahia, através do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur), e da Secretaria de Mobilidade de Salvador (Semob), os motoristas clandestinos voltaram a circular no Aeroporto Internacional de Salvador. A situação vem preocupando os taxistas credenciados que atuam no terminal.
Durante o último fim de semana, ações coordenadas pelo BPTur e pela Semob resultaram em abordagens, notificações e remoções de veículos ilegais. As operações foram reforçadas após constantes denúncias das cooperativas Comtas e Coometas, que há anos alertam sobre a atuação desenfreada dos ilegais, principalmente na Porta C, área de maior fluxo de passageiros no desembarque.

No entanto, a tranquilidade durou pouco. Assim que os policiais deixam o local, os clandestinos retornam rapidamente, retomando a prática ilegal de transporte remunerado de passageiros, aliciando turistas e usuários logo na saída do saguão.
“Na semana passada, a PM jogou duro, uns dois, três dias, mas essa semana não. Quando saía a guarnição, os caras voltavam e continuavam pegando corrida, aliciando passageiros. No portão C, tem polícia o tempo inteiro, mas não fazem nada”, desabafa um taxista que preferiu não se identificar.
A crítica também se estende à atuação da Semob.
“Eles só fiscalizam os taxistas. Os clandestinos fazem estoque de carros na pista interna, alguns param até na vaga de ambulância, mas os fiscais da Semob [Secretaria de Mobilidade] não fazem nada”, continua o profissional.
De acordo com registros da polícia, um dos motoristas que atua como clandestino no aeroporto já acumula 66 multas – três delas por transporte remunerado irregular, sendo duas no próprio terminal. As demais envolvem infrações como excesso de velocidade, estacionamento irregular e circulação na contramão.
Mesmo diante da reincidência, os taxistas elogiaram a postura do novo comandante do BPTur, Coronel Wellington, que demonstrou empenho em enfrentar o problema com firmeza.
“A sensação de segurança voltou ao aeroporto de Salvador sob o comando do Coronel Wellington”, afirmou Adriano Eugênio, presidente da Táxi Coometas.

A lei é clara
O Art. 231, inciso VIII do Código de Trânsito Brasileiro, determina que transitar com veículo efetuando transporte remunerado sem licença é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e remoção do veículo. A pena foi reforçada pela Lei nº 13.855/2019, que visa coibir exatamente esse tipo de conduta.
Taxistas pedem vigilância permanente
Para os taxistas, ações pontuais não são suficientes. A solução definitiva passa por um esquema contínuo de fiscalização no local, com integração entre PM, Transalvador e Semob.
“O problema só será resolvido com fiscalização diária. Esses clandestinos conhecem a rotina e se aproveitam da ausência de vigilância para operar livremente”, alerta um motorista.




