Por Helton Carlucho
Através de uma Câmara de Comércio Cooperativista, taxistas do Brasil e Portugal trocarão experiências sobre a atuação da categoria em seus países. A informação é de Léo Rodrigues, Diretor para Assuntos Sindicais e Assessor de Relações Institucionais do Sindicato e Organização das Cooperativas do Distrito Federal (OCDF).
Léo, que já foi diretor do Sindicato dos Taxistas de Brasília e presidente da Cooperativa dos Condutores Autônomos de Brasília (Coobrás) é o representante do ramo de transportes na OCDF. Em visita da reportagem do Ei, Táxi a Brasília, o gestor explicou a iniciativa e detalhou os resultados de uma viagem feita por entidades brasileiras, entre elas a OCDF, ao país europeu, no final de novembro.
“A Câmara de Comércio Cooperativista Brasil-Portugal nasceu de uma visita do nosso vice-presidente, Alexandre Machado, à cidade do Porto, em Portugal. Lá, em contato com cooperativas, começou a ideia de se formar uma câmara de comércio cooperativista para estimular o comércio internacional entre Brasil e Portugal, tendo sempre uma cooperativa na ponta”, explica sobre a iniciativa. “Essa ideia nos foi passada e então nós começados a construir. […] Então foi criado um Núcleo Cooperativista na Câmara de Comércio na Região Centro-Oeste”.
Entre os dias 23 de novembro até o dia 1 de dezembro, representantes do Sistema OCDF-SESCOOP/DF, da Fecoop CO/TO, da Câmara de Comércio Brasil-Portugal Centro-Oeste (CBP-CO), Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (SUDECO), entre outras entidades, foram ao país europeu com o objetivo de fomentar a parceria entre as nações.
A comitiva visitou diversas cooperativas, de variadas áreas de atuação, das cidades de Porto e Lisboa, entre elas, instituições ligadas à categoria de táxi.
“No que diz respeito aos benefícios para as cooperativas de táxi de modo geral, é o intercambio, saber o que essas cooperativas estão fazendo no velho mundo, como elas foram afetadas [pelos aplicativos], quais as experiências que estão dando certo e o que eles estão fazendo para sair dessa crise”, explica Rodrigues.
Experiências – “Nós visitamos cooperativas de táxi, conversamos com taxistas para trazer algum subsídio. Posso dizer que há uma semelhança muito grande em Portugal com o que está acontecendo aqui no Brasil. Lá, eles têm uma concorrência muito forte da Uber, do Cabify e do Lift. […] O que é um diferencial é que elas estão tentando mudar, tentando se adaptar aos novos tempos. Trazendo tecnologias, pensando em modificar o serviço de cobrança. Hoje, o que eu acho mais atrasado no táxi, e os meus colegas não concordam comigo, é o taxímetro. Aquela ideia de você entrar em um táxi e já está te cobrando um valor, a Uber faz isso com a corrida mínima, mas ele faz de uma maneira diferente. Aquela ideia de você está na Vila Planalto e vir para o Park Shopping, você não conhece nada de Brasília, ao chamar um táxi você fica sem saber quanto dá essa corrida. Talvez você se sinta mais seguro se o táxi já lhe disser o valor. Se é R$ 10, R$ 20 ou R$ 30,00, se é caro ou barato, é outra coisa, mas você sabe quanto vai dar. Então precisamos entender essa ideia”, exemplifica.
Segundo Léo, taxistas de Portugal também já adotaram mudanças na forma de pagamento. “Hoje a pessoa quer pagar tudo em cartão, de forma segura. Então eles estão trazendo formas de pagamentos para dentro dos aplicativos”, diz.
“Outra coisa que nós precisamos implementar aqui é a questão da capilaridade. Hoje as cooperativas no Brasil podem estar pensando que, quanto menos táxis em sua base, melhor para dividir o quantitativo de corridas, só que esse pensamento é errôneo, porque ela perde capilaridade. Exemplo: se você hoje está na Vila Planalto, talvez não tenha um táxi naquela região, porque não é um local de grande demanda. Então o táxi que iria te buscar talvez teve que rodar 5km, 6km. Isso aumenta custo, cria demora. Nós precisamos fazer com que as cooperativas brasileiras entendam que elas precisam se unir em uma única central para minimizar custos e maximizar frotas. Não vão perder identidade, não vão perder o diferencial, mas vão colocar um táxi perto do usuário sempre que ele precisar. […] Há a necessidade de quebrar conceitos, de mudar regras e entendimentos e trazer toda essa tecnologia, que no meu modo de ver não tem volta, para trabalhar também ao nosso favor”, conclui.





