O Aeroporto Internacional de Salvador se prepara para implantar o sistema “Kiss & Fly”, que prevê áreas com paradas rápidas e temporárias para embarque e desembarque de passageiros. A medida foi confirmada pela Vinci Airports, empresa que administra o terminal, e preocupa parte da categoria dos taxistas, que ainda aguarda informações claras da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) sobre como será sua aplicação no serviço de táxi comum da cidade.
O sistema, já utilizado em diversos aeroportos ao redor do mundo, funcionará por meio de cancelas com tempo de permanência limitado – em média 10 minutos – para que condutores deixem ou peguem passageiros sem necessidade de estacionar. Após esse período, será cobrada uma taxa fixa. A proposta é evitar congestionamentos nas áreas de acesso ao terminal e coibir o transporte clandestino.
Contudo, a implementação gerou surpresa entre os representantes da categoria. O presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), Denis Paim, tomou conhecimento da novidade durante reunião com membros da Vinci Airports no último dia 17 de junho. Ele relatou que o projeto já está em estágio avançado e foi elaborado em conjunto com a Semob e representantes dos taxistas que atuam na fila interna do aeroporto, sem, no entanto, envolver a grande maioria dos motoristas da categoria comum.
“Estão definindo algo que tem a ver com a vida do taxista sem convidá-lo para as discussões. Fiquei surpreso ao descobrir um projeto já previamente acordado com a Semob. Isso é um absurdo”, afirmou Denis.
Entre as preocupações apontadas pela AGT estão as dificuldades práticas de cumprir o tempo limite, especialmente em casos que envolvem passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida. Denis também questiona como será o funcionamento do sistema em relação aos profissionais que não fazem parte da fila do aeroporto, mas que eventualmente acessam o local para deixar ou buscar clientes.
“E se for um passageiro cadeirante, por exemplo? Vai haver tempo extra? Como fica o pagamento? Tudo isso ainda não está esclarecido”, destacou.
A Vinci Airports limitou-se a confirmar a implantação do sistema, afirmando apenas que o objetivo é “melhorar o fluxo viário, inibir o transporte clandestino e garantir mais comodidade e segurança para passageiros e motoristas”.
Até o momento, a Semob não se manifestou oficialmente sobre o tema, mesmo após contato do Portal Ei Táxi.
A AGT informou que solicitará uma reunião com o secretário Pablo Souza, e uma nova rodada de conversas com a administração do aeroporto está prevista para ocorrer na segunda quinzena de julho. A categoria espera mais transparência e participação nas decisões que afetam diretamente seu dia a dia.










