A pandemia do novo coronavírus está causando um estrago sem precedentes no setor de táxi do país. Taxistas internados por conta do vírus; taxistas em casa, com sintomas, mas sem atendimento médico; e profissionais perdendo a vida por causa da COVID-19. São fatos que revelam tempos difíceis, jamais vividos pela categoria. Não bastassem a doença e a dor da perda, muitos profissionais estão se vendo numa situação financeira desesperadora, precisando como nunca de apoio dos poderes públicos.
Em Salvador, a Associação Geral dos Taxistas (AGT) vem se destacando diante destes problemas, auxiliando a categoria. Contudo, números apresentados pela AGT têm sido questionados por opositores.
O Ei Táxi ouviu Denis Paim, presidente da AGT, para que ele pudesse falar sobre o assunto. Contar sobre os casos de coronavírus que afetam os taxistas; falar sobre as doações de cestas básicas, sobre os momentos que presta socorro e ainda se envolve no auxílio de funerais de colegas, além dos questionamentos de outros taxistas ao seu trabalho.

Ei Táxi: Quantos taxistas morreram de COVID-19?
Denis Paim: Infelizmente, eu soube que treze taxistas morreram.
ET.: Você sabe informar se eles tinham outras doenças?
DP.: Tenho conhecimento que cinco deles tinham outras doenças como diabetes e pressão alta, o restante eu não sei.
ET.: Quantos estão recuperados?
DP.: Eu tive informação de oito até a tarde desta segunda-feira (25).
ET.: Quantos taxistas você tem conhecimento que estão com a COVID-19 até aqui?
DP.: Existem quatorze taxistas internados com a COVID-19. Eles estão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paripe, no Hospital Espanhol, no Hospital Couto Maia e no Português. Além deles, tenho conhecimento de mais 20 taxistas com sintomas em casa, sem atendimento médico.
ET.: Eles possuem outra renda familiar? Eles estão recebendo o auxílio da prefeitura?
DP.: Muitos deles estão numa situação complicada, porque têm menos de 40 anos e não estão recebendo o auxílio da prefeitura, por isso estamos lutando pela ampliação do auxílio.
ET.: Quais hospitais e unidades de saúde você já esteve acompanhando taxistas?
DP.: Hospital Couto Maia, UPA de Brotas, UPA do Marback, de Paripe, dos Barris, Itapuã, UPA de San Martin, além de postos de saúde de outros bairros. Já acompanhei 43 taxistas para atendimento médico até hoje.
ET.: Qual foi a sua avaliação sobre o atendimento nas UPAs?
DP.: Péssimo! Funcionários estressados e insatisfeitos; banheiros e áreas externas precisando de limpeza; é preciso um atendimento com mais atenção aos pacientes. Teve colega que ficou duas horas numa maca sem nenhum atendimento, sem um lençol, com frio. A UPA do Marback informa que não tem como atender, diversos taxistas relataram isso; a UPA de Brotas também tem problema com atendimento e foi possível ver pessoas tendo prioridade, entrando pelos fundos. Nas UPAs, a espera chega a 8h e quando você consegue ser atendido, eles lhe dão um remédio e mandam de volta pra casa.
ET.: A classe está lhe auxiliando nesse enfrentamento?
DP.: Sim. Muitos colegas estão doando alimentos e me acompanhando em mobilizações e até em enterros. Já entregamos 365 cestas básicas até agora.
ET.: Como você avalia a atuação da Prefeitura e da Câmara de Vereadores?
DP.: O taxista precisa que o prefeito ACM Neto e os vereadores entendam a necessidade de ampliação do auxílio para todos os taxistas, mesmo aqueles abaixo de 40 anos. Apesar disto, não posso deixar de reconhecer a ajuda importante que a secretária Ana Paula Matos da Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza – SEMPRE, e o secretário de Saúde, Léo Prates, têm dado para a classe. Na Câmara de vereadores, o presidente Geraldo Júnior (MDB) e o vereador Marcos Mendes (PSol) também nos ajudam com os projetos.
ET.: Você tem sido questionado sobre o que tem divulgado na imprensa quanto aos números de taxistas que contraíram o novo coronavírus e que tenham falecidos. Qual é a sua resposta sobre isso?
DP.: Eu estou na luta diária, não sou de conversa fiada em WhatsApp. Tenho visitado muitas famílias de taxistas pra levar cesta básica e a categoria já percebeu que pode contar comigo. Eles me ligam ou enviam mensagens pra todo tipo de assunto, principalmente agora, nesta crise. Eu tenho mensagens e vídeos que comprovam os números que estou falando como aliás, estou apresentando para vocês do Ei Táxi, mas não posso divulgar pra toda a categoria por motivos óbvios, até porque muitos familiares têm receio de sofrerem preconceito. Então, minha resposta pra esses que questionam é o trabalho pela categoria.
ET.: Existem taxistas que dizem que você é oportunista, que quer se eleger vereador esse ano. O que você pensa disto?
DP.: Eu realmente sou pré-candidato a vereador em Salvador, reconheço isso desde o dia em que decidir aceitar o desafio que muitos colegas me deram, de representar a classe. Mas esse desafio não é de agora, não surgiu com o vírus. Aliás, qual é o crime nisso? Sobre ser oportunista. Falar isso chega a ser cruel com aqueles que estão passando fome e perdendo a vida. Recebo ligações de colegas ou familiares desesperados sem saber o que fazer porque não tem o que comer. Semana passada, a esposa de um colega estava passando mal e ele não conseguia dirigir o carro. Fui até a casa dele, de madrugada, pra prestar socorro para a esposa dele, o coitado tremia o corpo todo. É fácil criticar as pessoas, quero ver é na prática! Sair diariamente pela cidade, pedindo doação de alimentos, pedindo ajuda pra prefeitura pra enterrar colegas, correndo o risco de pegar essa doença terrível. Estou vendo de perto a dor dessas famílias. Se eu ficasse de braços cruzados aí eu seria um oportunista, porque o taxista me respeita e merece o máximo que eu puder dar.
ET.: Qual é a mensagem que você gostaria de passar para a classe neste momento tão difícil?
DP.: Peço união da classe. Aqueles que têm uma condição melhor, que nos ajude mais, que ajude as famílias dos colegas que estão precisando. Precisamos estar mais unidos, principalmente agora. Vamos à luta!





3 comentários em “EXCLUSIVO: Presidente da AGT, Denis Paim, fala sobre as baixas entre os taxistas de Salvador e como tem auxiliado a categoria neste momento de COVID-19”
Não sou profissional do táxi e hj tem todos o meu respeito e apreço.
Através de Denis Paim venho conhecendo o que a classe vem sofrendo com essa pandemia, Denis nos procurou e demonstrou toda a preocupação e como nossa empresa poderia ajudar a essa classe, conseguimos firmar uma parceria para que o nosso produto que são Protetores Facial chegasse a classe com o preço de fábrica onde nos compramos essa ideia e ajudamos a essa excelente pessoa que realmente tem apenas um interesse, manter toda a classe de motorista de táxis protegidas dessa terrível doença.
Parabéns Denis Paim, sempre é bom ver pessoas como vc ajudando a classe da qual vc faz parte.
E o único que ajuda a classe muitos ficam falam merda e não fazem nada Denis Paim é diferente é um cara presente em todos os momentos por isso tem o meu voto de toda minha família eu sou do A- 0338 tem total do meu apoio
Boa noite! É fácil criticar a pessoa quando ela vem de baixo Denis é um colega que realmente soma com a classe,para ficar claro ele merece sim uma chance de ser nosso representante.
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