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Salvador: Taxistas temem Coronavírus, mas seguem com a rotina de trabalho

Por Helton Carlucho

O taxista de Salvador Edson Aragão (A-0437) se diz preocupado com a possibilidade de contaminação pelo novo Coronavírus. Ele, que atua no Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães há 10 anos, acredita que o local é uma área de risco por receber pessoas de diversas partes do mundo.

Edson | Ei Táxi
Edson Aragão – Fotos: Helton Carlucho

Segundo a Vinci Airports, administradora o equipamento, em 2019, o aeroporto recebeu 209.940 turistas estrangeiros, o que representa uma média de 17.500 pessoas por mês.

Apesar do medo, os taxistas têm seguido com a rotina. “Estou trabalhando normalmente”, revela Edson. Questionado se teve receio de conduzir algum passageiro após o surgimento da doença, ele conta uma situação durante o Carnaval. “Na Quarta-feira de Cinzas, peguei, não sei se era coreano ou japonês. Ele espirrou dentro do carro, e isso me deu um medo muito grande”, explicou. Apesar do susto, Edson diz estar com a saúde em dia. O profissional pontua que apesar da maior probabilidade no aeroporto, todos os condutores estão sujeitos à doença.

O taxista Reginald Cohim (C-0238) também concorda que os colegas que trabalham no aeroporto estão em uma situação de vulnerabilidade. Ele acredita que administradora do local e os órgãos públicos deveriam adotar medidas preventivas. “É preciso uma atitude. Prevenção, vacinas, entre outros”, diz. Ele também comenta uma situação em uma corrida. “Peguei uma passageira alemã, e assim que entrou no meu carro ela tossiu duas vezes. Baixei o vidro e comuniquei que a gente ia fazer a corrida com o vidro aberto. Ela disse que tudo bem. Eu não gosto de andar com o vidro aberto, porque só ando com o ar condicionado; é obrigação do taxista prestar um serviço com excelência no aeroporto. Mas eu fiquei preocupado”, revela.

Ivaldo Ribeiro (C-0156) é outro que também se diz receoso. “Tenho até vontade de usar uma máscara. Mas é complicado um usar e os outros não”, explica. Ele também teve medo ao conduzir estrangeiros. “Um casal francês. Fiquei um pouco receoso”, revelou.

Ivaldo | Ei Táxi
Ivaldo Ribeiro

A reportagem do Ei, Táxi consultou empresas de rádio táxi para saber se alguma medida está sendo adotada. A Ellite Táxi e a Teletáxi, por exemplo, informaram que não há nenhuma conduta preventiva especialmente por conta do Coronavírus, mas disseram que têm seguido com o padrão de higiene já estabelecido.

A diretoria da Táxi Coometas informou que, em virtude do Coronavírus, adotou medidas para preservar a saúde de motoristas e clientes disponibilizando gratuitamente álcool gel e máscaras.

coronavírus coometas | Ei Táxi
Passageiros da Coometas estão recebendo máscaras e utilizando álcool em gel como medidas de prevenção – Foto: Divulgação

Também não há uma orientação específica para taxistas por parte dos órgãos de saúde. Questionada pela reportagem, a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) informou que “a prevenção é feita de forma geral para todas as pessoas”. Apesar da grande repercussão dos casos, as autoridades dizem que não há motivos para pânico. Embora seja preocupante, o coronavírus é menos letal do que outros vírus, a exemplo do H1N1.

De janeiro até às 17 horas do último dia 12, a Bahia registrou 216 casos notificados com suspeita clínica de infecção pelo novo coronavírus, sendo três confirmados, todos em Feira de Santana. Outros 147 foram descartados e 66 aguardavam análise laboratorial. Ao todo, 26 municípios da Bahia haviam feito notificações oficiais ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA). Ressalta-se que os números são dinâmicos e na medida em que as investigações clínicas e epidemiológicas avançam, os casos são reavaliados, sendo passíveis de reenquadramento na sua classificação.

É importante pontuar que o paciente com diagnóstico positivo para o novo coronavírus pode cursar com grau leve, moderado ou grave. A depender da situação clínica, pode ser atendido em unidades primárias de atenção básica, unidades secundárias ou precisar de internação. Mesmo definindo unidades de referência, não significa que ele só pode ser atendido em hospital. Os casos graves devem ser encaminhados a um hospital de referência para isolamento e tratamento. Os casos leves devem ser acompanhados pela Atenção Primária em Saúde (APS) e instituídas medidas de precaução domiciliar. Outras informações podem ser obtidas no link: www.saude.ba.gov.br/coronavirus.

O órgão orienta também que sejam adotados cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas. Algumas medidas são: lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos; se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool; evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; evitar contato próximo com pessoas doentes; ficar em casa quando estiver doente; ao tossir ou espirrar, cobrir boca e nariz com o cotovelo ou com um lenço de papel e jogá-lo no lixo; além de limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

VACINAÇÃO – Em decorrência do surto do coronavírus, o Ministério da Saúde antecipou a vacinação da gripe. A campanha está prevista para ser iniciada no dia 23 de março. Serão 75 milhões de doses. Primeiro, serão vacinados os idosos e os trabalhadores de saúde, que atuam na linha de frente do atendimento à população. A decisão da pasta é mais uma medida de proteção a esses públicos, em especial aos idosos, já que a vacina é uma proteção aos quadros de doenças respiratórias mais comuns, que dependendo da gravidade podem levar a óbito.

Na segunda fase da campanha, que começa dia 16 de abril, entram os professores, profissionais das forças de segurança e salvamento, além da previsão de incluir já nessa fase os doentes crônicos.

A partir de 9 de maio, Dia D de Vacinação, serão vacinadas as crianças menores de seis meses e menores de seis anos, pessoas com mais de 55 anos, gestantes, mães no pós-parto, população indígena e portadores de condições especiais. A campanha seguirá até o dia 23 de maio.

De acordo com o Ministério da Saúde, mesmo que a vacina não apresente eficácia contra o coronavírus, é uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as influenzas na triagem e acelerarem o diagnóstico para o coronavírus.

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