Por Conrado Matos
Diz um ditado Zen-budista mais ou menos assim: “um grito de um pássaro selvagem de lá da floresta pode emitir muita sabedoria”. Para ser um sábio não precisa de diploma, um conselheiro em excesso, mas um ser humano que tem prudência na hora de agir.
A sabedoria do intelecto que retalha a mente com seu bisturi não é a ideal para o ser humano. A sabedoria interior é a ideal para vida. Por isso, posso dizer que existem muitas pessoas que nunca foram a escola, mas na hora de resolver um conflito interpessoal, muitas vezes se saem melhor que um intelectual. A sabedoria não é medida na quantidade de diplomas acadêmicos, mas nos diplomas das emoções, das atitudes que vêm do equilíbrio interior. Lidar com emoções necessariamente não tem que ser um PhD, mas um equilibrista da alma, um profundo conhecedor das questões internas. Lidar com emoções não é para todo mundo.
Na natureza, o ser humano se diferencia por ser consciente. O ser humano sabe quando está alegre e triste. Nós somos curiosos porque nos espantamos diante das coisas que nos são ainda desconhecidas. O filosofo Aristóteles dizia que a Filosofia nasceu do espanto. A curiosidade nos leva a nos questionar e buscar saber o que vive ao nosso redor. Quando o homem surgiu no mundo, ele questionava a existência do dia, da noite, do sol e da lua. Ele questionava a si mesmo e ao mundo. De onde ele veio e para onde ele vai. O homem não ama pelo instinto, ama porque tem coração para amar.
O amor é algo que o homem inventou como seu meio de se amar e amar as outras pessoas. Então, o homem pode fazer muitas coisas boas por ele próprio e para as demais pessoas, por ser capaz de desenvolver o amor para colaborar, desconstruir e construir a relação. Os outros seres não fazem isso através do “saber” consciente. Apenas o homem inventa e reinventa, cria, renova, recomeça e ama. O homem é o único ser empírico que existe, sua curiosidade vai além de tudo no universo.
Os pensamentos são os nossos comandos. Se, vivo me culpando todos os dias, sigo aniquilando o meu próprio eu. O meu superego crítico assume soberania dentro de mim, ora me criticando, ora me culpando. Em muitos casos de fortes sentimentos de culpa a pessoa deixa de agir e se prende sempre ao seu próprio mundo destrutivo, ou seja, se condena na sua própria jaula e não age. Os pensamentos provocados por exigências culposas podem nos levar à depressão, à fatalidade da autodestruição. Os pensamentos niilistas nos levam às zonas de derrotas. Os pensamentos niilistas não nos movem, são ocos no nada.
A dedicação pelo coração é uma atitude de empatia. A plena atitude de amor age com o coração. É uma ação acolhedora e modesta. As pessoas que cuidam com o coração, não negam o outro. São pessoas humildes e companheiras. Eu penso que quando fazemos algo por alguém, nós devemos agradecer, e não quem estava na necessidade. Poder fazer algo por alguém já é gratificante para nós mesmos. O aprendizado humano é valoroso. Conquistamos dando, colaborando. Não é para se arrepender por ter feito algo por alguém. Você também foi beneficiado pelo gesto amoroso.





