A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) determinou a instalação de um ponto especial de táxi e mototáxi para atender o público da tradicional Lavagem de Itapuã. O local foi montado na Avenida Dorival Caymmi, em frente ao Baianão, e funcionará exclusivamente durante o evento como alternativa organizada para quem optar pelo transporte individual regulamentado.
Até aí, tudo certo — ao menos no papel.
O problema é que, mais uma vez, a secretaria parece ter esquecido de um detalhe básico quando o assunto é operação de táxi em grandes eventos: informar claramente se está autorizado ou não o uso da bandeira 2.
Silêncio que gera confusão
Taxistas que estão trabalhando com origem ou destino na festa relatam dúvidas sobre qual tarifa aplicar. O cenário não é novo e já vem se repetindo nas festas populares deste verão.
O Portal Ei Táxi procurou a assessoria da Semob em busca de esclarecimentos, mas não recebeu resposta até o fechamento desta matéria.
Em um serviço público que exige regras claras — tanto para proteger o profissional quanto o passageiro — o silêncio institucional cria um terreno perigoso. Afinal, se o taxista aplica a bandeira 2 sem autorização formal, pode ser questionado; se não aplica e deveria, perde receita em um dos períodos de maior demanda do ano.
Fica a pergunta: custa muito comunicar?
Operação de trânsito e transporte
A operação da Semob prevê mudanças temporárias de itinerários, reforço de frota e ordenamento de serviços como táxi e mototáxi, com a promessa de garantir fluidez e segurança.
Também haverá interdições progressivas até às 23h, atingindo:
- Trechos da Avenida Octávio Mangabeira (da Praça de Piatã ao Largo da Cira)
- Parte da Avenida Dorival Caymmi, do retorno antes do Banco do Brasil até a região da Sereia de Itapuã
Ou seja, planejamento existe — o que parece faltar é comunicação objetiva.
Quando o órgão vira “casa própria”
A postura da secretaria levanta um debate inevitável sobre transparência. Em vez de orientações públicas e antecipadas, a categoria precisa trabalhar quase no modo adivinhação.
Se fosse para usar uma metáfora bem brasileira, a situação lembra aquele vizinho que vira síndico e, de repente, passa a agir como dono do prédio — troca as regras, não avisa ninguém e ainda acha estranho quando os moradores reclamam.
No caso da mobilidade de Salvador, cresce a percepção de que o secretário Pablo Souza conduz decisões como se explicações fossem um favor, e não uma obrigação com a sociedade e com os profissionais que mantêm a cidade em movimento.
Gestão pública não combina com improviso — muito menos com silêncio.
Sobre a festa
A Lavagem de Itapuã chega aos 121 anos de história, consolidada como uma das manifestações culturais e religiosas mais emblemáticas de Salvador.
Criada em 1905, a celebração mistura o sagrado e o profano e nasceu da devoção popular, inicialmente ligada ao dia de Iemanjá. Desde a década de 1930, passou a ocorrer na quinta-feira que antecede o Carnaval, marcando o encerramento do ciclo das festas de verão.
A programação começou à meia-noite com o Bando Anunciador, seguido da Lavagem Nativa às 5h e da Alvorada. Desde as primeiras horas da manhã, cortejos culturais tomam as ruas, com destaque para o tradicional desfile das baianas, grupos de capoeira, samba de roda, o Afoxé Filhos de Gandhy e outras manifestações.
O que o taxista deve fazer?
Sem uma posição oficial até o momento, a recomendação é redobrar a atenção e acompanhar possíveis atualizações da Semob.
Mais do que nunca, a categoria precisa de previsibilidade — porque trabalhar em grandes eventos já exige estratégia suficiente; não deveria exigir também um exercício de interpretação das decisões do próprio órgão regulador.
No fim das contas, o ponto de táxi foi criado. A festa acontece. A demanda existe.
Só falta a secretaria fazer o mais simples: falar claramente com quem está na rua.




