A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), anunciou uma operação de transporte para atender o público do Furdunço e do Fuzuê, festas que movimentam o pré-Carnaval da cidade neste sábado (7) e domingo (8).
Entre as medidas divulgadas está a criação de um ponto especial de táxi para embarque e desembarque no cruzamento da Rua Afonso Celso com a Rua Miguel Burnier, próximo ao Banco do Brasil, na Barra — uma área estratégica para facilitar o deslocamento dos foliões que optarem pelo transporte regulamentado.
Até aqui, tudo dentro do esperado para eventos de grande porte. O que continua fora do script é a comunicação da própria secretaria.
A pergunta que não quer calar: bandeira 2 pode ou não?
Mais uma vez, a Semob divulga estrutura, reforço de equipes e planejamento operacional — mas não esclarece um ponto fundamental para a categoria: haverá autorização para uso da bandeira 2?
O taxista segue fazendo o que parece ter virado rotina nas festas populares de Salvador: trabalhando na incerteza.
Porque não se trata apenas de tarifa — trata-se de segurança jurídica. Sem um posicionamento oficial, o profissional pode ser questionado pelo passageiro, sofrer reclamações e até enfrentar denúncias, mesmo estando em uma área de evento com alta demanda.
Planejar sem comunicar é como montar um trio elétrico e esquecer de avisar onde será o circuito.
Comunicação seletiva ou gestão no improviso?
A repetição desse cenário começa a levantar um debate inevitável: é desorganização ou método?
Se couber uma metáfora carnavalesca, a Semob parece aquele maestro que levanta a batuta, mas não entrega a partitura — cada músico que adivinhe o tom.
E sob a condução do secretário Pablo Souza, cresce a sensação de que a secretaria adotou o modelo “decide primeiro, explica depois… se explicar”.
Em gestão pública, informação não deveria sair em conta-gotas. Transparência não é acessório de Carnaval — é regra básica.
Estrutura existe. Clareza, nem tanto.
A operação anunciada inclui reforço no transporte coletivo, fiscalização e ordenamento do transporte individual. Ou seja, há planejamento. Mas para quem está na rua, planejamento sem orientação clara vale pouco. O taxista não precisa apenas de ponto, precisa de regra definida.
No fim das contas, fica a dúvida que insiste em desfilar antes mesmo dos blocos: Vai ter bandeira 2 ou o profissional terá que descobrir só quando a fiscalização aparecer?
A cidade já entrou no clima do Carnaval. Talvez esteja na hora de a comunicação da Semob entrar também.




