Passado o Carnaval 2026, o saldo entre taxistas do Recife e de Olinda é de muito trabalho — mas também de fortes críticas à organização do trânsito e à fiscalização do transporte irregular.
Nos grupos de WhatsApp da categoria, a bronca foi grande. Relatos apontam congestionamentos intensos, bloqueios mal sinalizados e dificuldade de circulação, especialmente nas imediações dos grandes polos de festa no Recife e em Olinda.
“Corredor humano” de aplicativos em Olinda
O presidente da Associação dos Taxistas Permissionários e Motoristas Auxiliares de Pernambuco (ATPA-PE), Lúcio Mauro, denunciou uma situação considerada constrangedora na saída do evento “Carvalheira na Ladeira”, realizado no Parque Memorial Arcoverde, em Olinda.
Segundo ele, motoristas de aplicativo teriam formado um “corredor humano” na saída do evento, abordando foliões de forma insistente.
“As pessoas eram obrigadas a passar por esse corredor, sendo assediadas. Eles só podem estar ali mediante chamada pelo aplicativo, não abordando na frente do evento. As autoridades precisam tomar providência urgente”, afirmou.
A denúncia reacende o debate sobre a fiscalização da atuação fora das regras estabelecidas para transporte por aplicativo, especialmente em grandes eventos.
Trânsito travado e pedido de corredor para táxis
Outro ponto levantado por Lúcio Mauro foi a dificuldade de deslocamento dos táxis em meio aos bloqueios e congestionamentos típicos do Carnaval.
Ele sugeriu que, assim como há corredores exclusivos para outros modais, poderia ter sido criado um corredor expresso para táxis, permitindo acesso mais rápido aos polos e maior fluidez no atendimento aos passageiros.
“Que venha o próximo Carnaval com mais organização e mais espaço para o táxi trafegar e chegar mais rápido ao seu destino.”
Apesar das críticas, o presidente agradeceu o apoio de integrantes da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), como Rinaldo e membros da chefia do órgão, destacando que, dentro do possível, houve diálogo.
Ele também ressaltou que, até o momento, não houve registro de ocorrências graves envolvendo taxistas.
Transporte clandestino e cobranças abusivas
O diretor da Chame Táxi, Eduardo Araújo, também criticou a atuação de motoristas clandestinos durante a folia.
Segundo ele, houve relatos de cobranças consideradas abusivas:
“Corridas que davam em média R$ 35,00 estavam sendo cobradas por R$ 100,00, R$ 120, R$ 150. Um verdadeiro descaso, pois não tinha nenhum tipo de fiscalização.”
Para os taxistas, o sentimento foi de fiscalização rigorosa sobre os profissionais regulamentados, enquanto o transporte irregular atuava com aparente liberdade.
Categoria cobra posicionamento oficial
Diante da repercussão, taxistas aguardam um posicionamento da CTTU, no Recife, e da Secretaria de Mobilidade Urbana de Olinda sobre:
- A organização dos bloqueios e planejamento viário durante o Carnaval;
- A fiscalização do transporte clandestino e de abordagens irregulares;
- Possíveis ajustes para garantir mais fluidez e segurança aos profissionais regulamentados nos próximos eventos.
O Carnaval é a maior operação de mobilidade do ano nas duas cidades. Para os taxistas, que atuam diretamente no transporte de foliões e turistas, planejamento eficiente e fiscalização equilibrada são essenciais não apenas para a categoria, mas para a segurança e organização do evento como um todo.
O espaço permanece aberto para manifestação oficial dos órgãos citados.




