
Com os veículos particulares no páreo, o setor de táxi está lutando para manter os clientes de um mercado que é milionário, especialmente no Brasil. As oportunidades continuam existindo para o taxista, contudo é preciso que ele enxergue o que está claro, o aplicativo de chamada de táxi é fundamental para atuar num mercado cada vez mais digital.
Passados mais de 4 anos, desde quando a Uber começou a atuar no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro (maio/2014), e cerca de dois anos e meio em Salvador e região (abril/2016), o número de aplicativos que atuam com veículos particulares aumentou em todo o país. E não poderia ser diferente, afinal, estima-se que o Brasil seja o segundo mercado do mundo para aplicativos de mobilidade (táxi e veículo particular), perdendo somente para a China. Uma prova disso foi o investimento de cerca de 1 bilhão de dólares feito pelos chineses para adquirir a 99, no início do ano.
O avanço tecnológico trouxe comodidade, segurança e diversas outras possibilidades à palma da mão. As pessoas estão cada vez mais conectadas. Ofertas de serviços e produtos estão disponíveis em milhares de sites e aplicativos, possibilitando que o consumidor faça a sua escolha sem que precise se deslocar, quase tudo está muito mais acessível.
O mesmo acontece com o mercado de transporte de passageiros. Até as pessoas de mais idade, que possuem mais dificuldade no uso de ferramentas tecnológicas, estão baixando algum aplicativo e optando pelo uso ao invés de ligar para uma central de rádio ou ainda se dirigir até um ponto de táxi. Aliás, tentar sobreviver neste segmento daquele passageiro que se desloca até o ponto de táxi é, no mínimo, ser negligente com o próprio futuro. O único caso em que essa estratégia ainda será mantida, refere-se a locais de passagem como aeroportos, rodoviárias e/ou shopping centers. Ainda assim, o taxista precisa estar conectado, porque muitos clientes optam em chamar pelo App.
O negócio mobilidade, hoje, é ativo, o profissional precisa buscar o cliente. Os aplicativos se transformaram na viabilidade do negócio, pois somente por eles o taxista consegue ofertar o seu serviço de forma ampla, rápida e com baixo custo. Se ainda assim, alguém duvida, tente criar estratégias de divulgação individualmente e depois avalie se vale a pena.
Outra função de sucesso dos aplicativos, que foi um dos diferenciais para os veículos particulares conquistarem tantos clientes, é a possibilidade de estimativa de preço. As pessoas compram aquilo que elas sabem o quanto vão pagar e não após ter consumido o serviço/produto. Por conta disso, o taxímetro físico se tornou um aparelho ultrapassado que só está em uso porque o taxista ainda insiste e porque o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) não sabe como vai aferir os aplicativos e como vai cobrar por esse serviço já que eles faturam uma bolada do taxista todos os anos, aferindo o taxímetro.
O maior questionamento que o taxista faz sobre os aplicativos é quanto ao percentual descontado da corrida em prol da plataforma. Para ele, após o desconto ao passageiro e a comissão do aplicativo, a corrida não vale a pena. Baseado nessa tese, muitos desinstalam os Apps dos aparelhos ou até mantém, mas ao ver que o cliente pediu a corrida, optam em não aceitá-la. Sem avaliar o erro que estão cometendo, eles cedem o seu mercado para o concorrente que não só está conquistando os clientes conectados como também acaba fazendo a sua própria carteira de clientes por fora das plataformas.
O taxista precisa compreender que o avanço tecnológico trará constantes novidades e as pessoas vão aderir a elas. Se há o questionamento contra as taxas descontadas dos aplicativos ou sobre as promoções para os clientes, que se busque uma negociação com essas empresas. O que não é razoável é usar a tática suicida da indiferença com a chamada do cliente. Se não há táxis disponíveis, o cliente vai optar pelo veículo particular e ponto final. As pessoas não têm tempo na vida para ficar pensando nos problemas da categoria, elas têm os delas. Há um ditado cruel no mundo dos negócios que diz que “dinheiro não ouve desaforo”. Além do mais, “não existe almoço grátis”. Investidor algum vai colocar dinheiro em algo para não ter lucro.
Num mercado de milhões ou se investe muito ou ficará patinando. Para disputar esse negócio, os taxistas precisam, inicialmente, estarem dentro dele, ou seja conectados. Além disso, obrigatoriamente precisam estar em grande número, disponíveis nos aplicativos, para que os clientes não aguardem tanto tempo por um táxi, senão, não adianta. O mercado de mobilidade está cada vez mais digitalizado e não retrocederá. Ou a categoria compreende isso ou a disputa será inglória para os taxistas.
Oportunidade perdida há quatro anos

No dia 22 de março de 2014, foi lançado em Salvador um projeto chamado União Táxi Salvador. Era a fusão das empresas Teletáxi, Elitte Táxi, Alô Táxi e da, extinta, Vip Táxi para fazerem frente aos aplicativos de táxi que já atuavam no mercado como Easy Taxi e 99Taxis.
A ideia era genial! Inicialmente, 800 táxis estariam à disposição dos clientes. O objetivo era aumentar o número de táxis gradativamente para que o passagerio ao chamar o táxi através do aplicativo, percebesse a velocidade no atendimento entre outras vantagens.
Infelizmente, o projeto não prosperou. Visões opostas entre os líderes, falta de investimento em comunicação e falta de paciência do taxista enterram o que hoje poderia ser o aplicativo de táxi mais forte da cidade.




