A situação dos taxistas de Camaçari que realizam viagens intermunicipais continua sem uma solução — e o que deveria ser uma atuação institucional do Sindicato dos Taxistas de Camaçari (Sintac) permanece, até o momento, sem resultado concreto.
O problema envolve a fiscalização da Agerba sobre táxis que realizam viagens entre municípios, inclusive em situações comuns para a categoria, como deslocamentos para Salvador e o Aeroporto Internacional de Salvador. Taxistas relatam multas que podem chegar a valores elevados e cobram segurança jurídica para continuar trabalhando.
O assunto chegou diretamente ao governador Jerônimo Rodrigues em março deste ano, quando o taxista Cândido de Alencar aproveitou a presença do governador em Camaçari para fazer um apelo contra as multas aplicadas pela Agerba. Na ocasião, Jerônimo forneceu o contato do secretário de Relações Institucionais da Bahia, Adolpho Loyola, para que a questão fosse encaminhada institucionalmente.
A partir daquele momento, a responsabilidade pela formalização da demanda passou a ser assumida pelo Sintac.
Sindicato disse que ofício estava pronto
Após o encontro com o governador, Cândido procurou o presidente do Sintac, Leônidas Loiola, que informou ao Portal Ei Táxi que já havia preparado um ofício solicitando uma reunião com o Governo da Bahia.
Segundo o próprio presidente, o documento estava pronto e faltava apenas a assinatura dos diretores para ser protocolado.
Parecia, portanto, que a categoria finalmente tinha encontrado um caminho institucional para discutir o problema com o Governo do Estado.
Mas o documento não avançou.
Em abril, aproximadamente um mês depois do apelo ao governador, o Portal Ei Táxi voltou a apurar a situação e constatou que o ofício continuava sem protocolo. Na ocasião, também não houve comprovação apresentada pelo sindicato de que o documento havia sido efetivamente encaminhado ao Governo da Bahia.
Cinco meses depois, qual foi a prioridade dada pelo sindicato?
O tempo passou e a situação permanece sem uma resposta concreta.
Diante disso, o Portal Ei Táxi procurou novamente o presidente do Sintac, Leônidas Loiola, para saber:
- se o ofício foi assinado;
- se foi protocolado;
- quando teria sido encaminhado;
- por que não foi enviado ao secretário Adolpho Loyola;
- se existe algum impedimento para sua apresentação;
- quais outras medidas o sindicato tomou junto ao Governo do Estado e à Agerba;
- se existem ações judiciais ou propostas legislativas em defesa dos taxistas;
Leônidas Loiola não respondeu às perguntas e também não deu qualquer resposta ao contato realizado pelo Portal Ei Táxi por meio do WhatsApp.
O silêncio é especialmente preocupante porque o próprio sindicato havia apresentado o ofício como uma providência concreta para enfrentar o problema.
E o que o Sintac fez pela categoria?
A questão que fica não é apenas por que um ofício demorou para ser protocolado.
A pergunta mais importante é: o que o Sindicato dos Taxistas de Camaçari efetivamente fez, até agora, para enfrentar o problema das multas da Agerba?
O histórico apurado pelo Portal Ei Táxi mostra que, em março, o sindicato anunciou que faria a interlocução com o Governo da Bahia. Em abril, o documento continuava parado. Agora, diante de novos questionamentos, o presidente da entidade não apresentou nenhuma atualização.
Também não foi apresentada ao Portal Ei Táxi, até o momento, qualquer informação que demonstre uma atuação institucional mais ampla do Sintac junto à Agerba, ao Governo do Estado, à Assembleia Legislativa ou ao Congresso Nacional para buscar uma solução definitiva para a questão.
Isso não significa afirmar que nenhuma iniciativa tenha sido tomada. O sindicato teve a oportunidade de informar e comprovar quais ações realizou, mas não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem.
Enquanto isso, o problema continua nas ruas
A demora não acontece em um problema meramente burocrático.
Em março, o taxista Cândido relatou ao Portal Ei Táxi que a fiscalização da Agerba estava dificultando o trabalho dos profissionais e que até corridas para o aeroporto estavam sendo alvo de autuações.
A matéria publicada em abril mostrou que, enquanto o ofício permanecia sem protocolo, os taxistas continuavam expostos ao risco de autuação em viagens intermunicipais.
Ou seja, o problema que justificou a mobilização continua existindo, enquanto a resposta institucional anunciada pelo sindicato não aparece.
A categoria precisa cobrar o seu representante
Também é preciso fazer uma pergunta aos próprios taxistas de Camaçari.
Se existe um sindicato constituído justamente para representar os interesses profissionais da categoria, por que os próprios taxistas não estão cobrando publicamente uma resposta sobre essa atuação?
Um sindicato não deve depender apenas da iniciativa de um ou outro profissional para movimentar uma pauta que atinge toda uma categoria.
O contato com o governador aconteceu porque um taxista tomou a iniciativa de fazer o pedido diretamente. O governador indicou um canal institucional. O sindicato anunciou que prepararia o ofício. E, desde então, a categoria continua esperando.
Até quando?
É legítimo que os taxistas cobrem do Sintac informações objetivas: o documento foi protocolado ou não? Houve reunião com o Governo da Bahia? Houve reunião com a Agerba? Que providências jurídicas foram tomadas? Existe alguma proposta de regulamentação em andamento?
São perguntas básicas para quem representa uma categoria que afirma estar enfrentando insegurança para trabalhar.
O silêncio também precisa ser explicado
O Portal Ei Táxi continuará dando espaço para o Sintac apresentar sua versão.
Mas, diante da ausência de resposta do presidente Leônidas Loiola, fica registrado o principal questionamento desta reportagem:
Se a questão das multas da Agerba é realmente uma prioridade para o Sindicato dos Taxistas de Camaçari, por que, quase cinco meses depois de o Governo da Bahia abrir uma porta para negociação, a categoria ainda não recebeu uma prestação de contas sobre o que foi efetivamente feito?
A situação exige menos promessa e mais documentação, protocolo, reunião e resultado.
Enquanto isso, os taxistas continuam trabalhando sob o risco de fiscalização e aguardando que a entidade que deveria representá-los cumpra o papel que anunciou que cumpriria.
O espaço permanece aberto ao Sintac para apresentar documentos, protocolos, datas de reuniões e demais informações que possam esclarecer a atuação da entidade sobre o caso.




