A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) divulgou um balanço das operações de combate ao transporte clandestino realizadas em Salvador e afirmou ter intensificado a fiscalização nos principais pontos de entrada e saída da cidade. No entanto, taxistas que atuam diariamente em locais estratégicos, como o Aeroporto Internacional de Salvador e a Rodoviária, contestam os resultados apresentados pelo órgão e afirmam que a atuação dos transportadores irregulares continua sendo uma realidade preocupante.
De acordo com a Semob, somente no mês de maio foram realizadas 254 abordagens a veículos suspeitos de transporte irregular de passageiros. Desse total, 133 veículos foram removidos por descumprimento da legislação.
Segundo o secretário de Mobilidade, Pablo Souza, o índice de remoções demonstra o comprometimento da pasta com a segurança dos usuários.
“Este é um número bastante expressivo e representa mais de 50% das nossas abordagens. Isso mostra o compromisso da pasta em garantir que a população utilize serviços que atendam aos requisitos de segurança para o transporte de passageiros”, afirmou.
Ainda conforme o balanço divulgado pela secretaria, os locais com maior número de remoções foram o Terminal São Joaquim/Ferry-Boat, com 48 veículos recolhidos, seguido pela Rodoviária de Salvador, com 39 remoções, e pelo Aeroporto Internacional de Salvador, onde 31 veículos foram retirados de circulação.
Nos primeiros meses de 2026, a Semob informa ter realizado 1.380 abordagens e 722 remoções de veículos flagrados realizando transporte irregular de passageiros.
Categoria questiona efetividade das operações
Apesar dos números apresentados pela Prefeitura, taxistas ouvidos pelo Portal Ei Táxi afirmam que a percepção de quem trabalha diariamente nesses locais é diferente da apresentada pelas estatísticas oficiais.
No Aeroporto Internacional de Salvador, um dos principais líderes da categoria no combate ao transporte clandestino, o taxista Reginald Cohim, afirma que a situação permanece grave.
“A situação do aeroporto é gravíssima. Precisa ter dois fiscais para combater o falso táxi e o falso motorista de aplicativo nos turnos da manhã, da tarde, da noite e da madrugada, além dos finais de semana e feriados. A situação continua grave e até o momento não foi estancada pela Semob. O Aeroporto Internacional de Salvador é terra de ninguém, quem manda é o transporte clandestino”, declarou.
Segundo ele, embora as operações ocorram eventualmente, a falta de fiscalização permanente permite que os clandestinos retornem rapidamente à atividade.
Rodoviária também é alvo de reclamações
Na Rodoviária de Salvador, as críticas seguem na mesma direção.
Um taxista que atua no terminal e preferiu não se identificar relatou que a presença de transportadores irregulares continua sendo observada principalmente durante o período noturno.
“Continua a mesma coisa. À noite está cheio de clandestinos. A área destinada aos motoristas de aplicativo para embarque e desembarque acaba sendo utilizada por pessoas que oferecem viagens irregulares. No último domingo tinha bastante gente abordando passageiros”, afirmou.
Segundo o profissional, um dos focos da atuação irregular são viagens para municípios do interior, especialmente Feira de Santana.
“O que mais tem é clandestino oferecendo viagem para Feira de Santana entre sete e oito horas da noite. Ficam quatro ou cinco pessoas observando. Um ou dois abordam o passageiro, fecham a viagem e levam para o estacionamento. O passageiro embarca e eles saem normalmente”, relatou.
Debate sobre fiscalização continua
Enquanto a Semob destaca o aumento das operações e o número de veículos removidos, os relatos dos taxistas apontam para uma discussão mais ampla: a diferença entre operações pontuais e a necessidade de fiscalização contínua.
Para a categoria, a presença permanente de fiscais em pontos considerados críticos seria mais eficaz para desestimular a atuação dos clandestinos do que ações esporádicas realizadas em determinados horários.
A divergência entre os dados oficiais e a percepção dos profissionais que atuam diariamente nos locais reforça que o combate ao transporte irregular continua sendo um dos principais desafios da mobilidade urbana em Salvador.
O espaço permanece aberto para que a Semob possa se manifestar sobre as divergências apresentadas pelos taxistas.




