Enquanto parte da discussão em torno do sistema Kiss&Fly tem se concentrado na operação dos táxis comuns e na reorganização do meio-fio do Aeroporto Internacional de Salvador, taxistas que atuam com táxis especiais e possuem convênios operacionais com o terminal demonstram apoio à iniciativa implantada pela concessionária Vinci Airports.
Para esses profissionais, o principal mérito do projeto não está apenas na organização do fluxo de veículos, mas na esperança de que o novo sistema contribua para reduzir a atuação do transporte clandestino, problema antigo e frequentemente denunciado pela categoria.
Segundo dados divulgados pelo Salvador Bahia Airport, mais de 95% dos veículos que acessaram o sistema durante o mês de maio permaneceram no local por até 10 minutos, prazo previsto pelo modelo Kiss&Fly. Foram registrados mais de 445 mil acessos no período, com tempo médio de permanência de pouco mais de cinco minutos.
A concessionária afirma que o sistema foi concebido para aumentar a fluidez, organizar o uso do meio-fio e também combater ocupações indevidas e atividades irregulares no acesso ao terminal.
Categoria vê ordenamento e mais segurança
O presidente da Cooperativa Táxi Coometas, Adriano Eugênio, avalia que a implantação das cancelas foi positiva diante dos problemas que existiam anteriormente.
Segundo ele, muitos condutores utilizavam áreas destinadas exclusivamente ao embarque e desembarque como estacionamento, formando filas duplas e até triplas, comprometendo a circulação de veículos e passageiros.
Adriano afirma que, mesmo em fase de testes, já é possível perceber melhorias na organização do terminal.
Além disso, destaca que o combate ao transporte clandestino continua sendo uma das principais preocupações dos profissionais que atuam diariamente no aeroporto.
“A percepção de organização e segurança aumentou. O aeroporto convive há anos com a atuação de motoristas clandestinos e, infelizmente, não vemos ações efetivas dos órgãos públicos para enfrentar esse problema”, avaliou.
Esperança de redução do transporte clandestino
Outro defensor da iniciativa é o taxista Reginald Cohim, conhecido por sua atuação histórica no enfrentamento ao transporte clandestino no aeroporto.
Segundo ele, a própria administração da Vinci apresentou o projeto à categoria deixando claro que um dos objetivos é justamente ordenar o meio-fio e dificultar a atuação irregular.
“O foco do projeto Kiss&Fly é o combate ao transporte clandestino. Além disso, busca acabar com filas duplas, filas triplas e melhorar o ordenamento do trânsito dentro do aeroporto”, afirmou.
Reginald ressalta que ainda é cedo para uma avaliação definitiva, mas acredita que a iniciativa merece ser acompanhada.
“Temos que observar os resultados. Se funcionar, ótimo. Se houver necessidade de ajustes, eles deverão ser feitos. O importante é que exista uma tentativa concreta de melhorar a situação”, disse.
Categoria critica falta de fiscalização
Apesar da expectativa positiva em relação ao projeto, os taxistas não escondem a insatisfação com o que consideram omissão do poder público no combate ao transporte clandestino.
Segundo os profissionais, as operações realizadas pela Prefeitura de Salvador, por meio da Semob, acontecem de forma esporádica e não são suficientes para inibir a atuação dos clandestinos.
A situação seria ainda mais preocupante durante o período noturno, madrugadas e finais de semana, quando a fiscalização praticamente desaparece, segundo relatos da categoria.
Os taxistas também afirmam que, após a mudança no comando do Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur), houve redução perceptível das ações voltadas à fiscalização e ao ordenamento no entorno do aeroporto.
Falta integração entre os órgãos
Reginald Cohim relembra que, anos atrás, na gestão do ex-prefeito João Henrique, existia uma força-tarefa envolvendo Infraero, Prefeitura de Salvador, Polícia Militar, Detran, Agerba e Ministério Público para combater o transporte clandestino dentro e no entorno do terminal. O convênio foi encerrado e nunca mais retomado.
Na avaliação dos taxistas, a ausência de integração entre os órgãos públicos abriu espaço para que o transporte clandestino se fortalecesse ao longo dos anos.
Diante desse cenário, parte da categoria vê no sistema Kiss&Fly uma tentativa de preencher uma lacuna que deveria ser ocupada pelo poder público.
O Portal Ei Táxi tentou contato com a presidência da Táxi Comtas para obter posicionamento sobre o tema, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.




