O Portal Ei Táxi publica a seguir a entrevista com o taxista João Carlos Candeias Adorno, figura conhecida entre os profissionais de Salvador e atualmente alvo de denúncias relacionadas a processos de transferência de veículos e alvarás. Adorno tem sido citado em boletins de ocorrência registrados por motoristas que o acusam de entregar documentos adulterados em meio às negociações.
Na conversa, ele admite que houve falhas em alguns processos, mas atribui a responsabilidade a terceiros com quem mantinha parceria. Também afirma que está sendo alvo de perseguição política e que já adotou medidas jurídicas para se defender. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
Ei Táxi: Você vem atuando como despachante dos taxistas que buscam transferir alvarás e regularizar documentação junto ao Detran e à Semob?
João Adorno: Não sou despachante documentalista. O serviço que faço, basicamente, é o mesmo que se fazia na sede da Cotae, nos Barris, na sala ao lado. Parte de alguns serviços, eu terceiriz pois não cobramos por todos os serviços feitos. Nós queremos reativar de maneira gradativa o o com parceiros que tinha. Além disso, nosso objetivo é apenas dar uma alternativa à categoria,Sinditaxi [Sindicato dos Condutores Autônomos de Táxi de Salvador], que já tem clínica médica, estamos trazendo dentista, advogados e estamos buscando planos de saúde. Mas tudo em nível de parceria.
Ei Táxi: Como funciona, na prática, esse serviço que você divulga para os taxistas?
João Adorno: Crachá, vistoria. Desde que iniciei, não tenho paz, o pessoal me perseguindo.
Ei Táxi: Quem estaria perseguindo você?
João Adorno: Opositores políticos.
Ei Táxi: De quem exatamente você está falando?
João Adorno: Prefiro não mencionar nomes, mas a categoria sabe quem está tentando me destruir, para que eu não saia candidato a deputado. Como a categoria aderiu ao Sinditaxi para fazer seus documentos, essa pessoa fica buscando quem eventualmente teve algum problema, por menor que seja, para politizar o assunto.
Ei Táxi: Quanto você cobra por esses serviços? Os taxistas pagam a você ou diretamente aos órgãos públicos?
João Adorno: Eles pagam pelo meu serviço, assim como pagavam pelo serviço de terceiros. O meu serviço, por exemplo, de crachá é R$ 50, trazendo CNH, curso, atestado médico e comprovante de endereço.
Ei Táxi: Como você fazia para gerar documentos como CRLVs e guias de pagamento em nome dos taxistas? Você tinha acesso direto às plataformas?
João Adorno: Essa parte era terceirizada com um parceiro que tinha. Já não trabalho mais com ele.
Ei Táxi: Qual foi o seu acordo com o sindicato para atuar dentro da instituição?
João Adorno: O acordo foi informal, não tínhamos a maldade de que seríamos enganados, mas nos serviu de aprendizado.
Ei Táxi: Você disse que foi enganado. Por quem e de que forma?
João Adorno: Houve uns dois ou três processos em que a terceirizada falhou e nós assumimos a responsabilidade. Afinal, temos um nome a zelar.
Ei Táxi: Quem era esse parceiro? Ele trabalhava no Detran ou na Semob? Era despachante? Você foi enganado por essa pessoa? Prestou queixa?
João Adorno: Ele trabalhava na Saramandaia. Não tinha nada a ver com a Semob. Infelizmente não era despachante. Foi um oportunista, mas as providências já foram tomadas. Prestei, sim, boletim de ocorrência.
Ei Táxi: De acordo com os boletins de ocorrência, motoristas auxiliares disseram que contrataram os seus serviços, mas que documentos entregues por você foram considerados falsos pelo Detran e pela Semob. Eles alegam que não tinham conhecimento da irregularidade. Como você responde a essas acusações?
João Adorno: Os documentos foram recebidos por mim, vindos do terceirizado. Como eu não conferi, houve esse problema. Tão logo identificado, afastei o terceiro e tomei as providências para assistir os taxistas e, ao mesmo tempo, nos resguardar, já que temos uma equipe jurídica cuidando dos casos para que nenhum taxista seja prejudicado.
Ei Táxi: Você entregou ou intermediou a entrega de CRLVs (Certificados de Registro e Licenciamento de Veículo) que foram apontados como adulterados pelo Detran e pela Semob?
João Adorno: Entreguei o DUT [Documento Único de Transferência], a vistoria do Detran e todos os documentos. Quando recebi o retorno, não conferi, acreditando na boa-fé. Infelizmente, por confiar nas pessoas erradas, pagamos o preço.
Ei Táxi: Para quem exatamente você entregava esses documentos?
João Adorno: Eu mandava para essa pessoa. Em alguns processos ele fez certo, em outros não. Aí eu descobri e tomei as providências.
Ei Táxi: Alguns motoristas afirmam ter feito pagamentos a você por serviços não concluídos. Você confirma ter recebido esses valores?
João Adorno: O pagamento foi feito a mim, mas eu o repassava ao terceirizado, pagando taxas, licenciamento, IPVA, placa etc.
Ei Táxi: A Semob teria identificado mais de 30 processos em condições semelhantes. Você tem conhecimento desse número?
João Adorno: Negativo. De onde vem esse número?
Ei Táxi: Soubemos que você recebeu uma intimação da Polícia Civil na sede do Sinditaxi. Você já prestou depoimento? O que disse na delegacia?
João Adorno: A intimação foi enviada por perseguição política para me prejudicar. Já foi remetida à ouvidoria da Polícia Civil, até porque o queixante recebeu R$ 500 a mais do valor declarado como prejuízo. Ele alegou ter pago R$ 2.400 e recebeu R$ 2.900. Além de tudo, fui extorquido.
Ei Táxi: Qual mensagem você deseja deixar para a categoria de taxistas de Salvador sobre esse episódio?
João Adorno: O que desejo falar é que, infelizmente, na nossa categoria existem algumas lideranças covardes, que atuam nos bastidores apenas para alcançar poder e dinheiro, mas fazem política suja para tentar denegrir a imagem. Mas a categoria sabe que os problemas que aconteceram serão enfrentados de frente por mim. Eu não fugirei da responsabilidade, não sou covarde e não serei.
Os colegas que precisarem de mim, para qualquer coisa, estarei aqui sempre. E que os auxiliares se preparem, que o processo seletivo vem aí. Confio no prefeito, em Pablo e em quem está coordenando a Cotae. Acrescento que todos os problemas serão devidamente esclarecidos e que todos que deram queixa já tiveram os valores devolvidos e a documentação corrigida.




