
Por Isabel Magnavita Rios
“Trato bem meus clientes, dou desconto. Procuro manter meu carro limpo, um ambiente agradável para que se sintam à vontade. Tudo para deixar os clientes satisfeitos”. A fala é do taxista feirense Carlos Fernandes que atua na profissão há 22 anos em um dos pontos oficiais localizado no centro da cidade de Feira de Santana. Para ele, a chegada dos aplicativos de veículo particular é um dos problemas enfrentados pela categoria. Mas apesar do empecilho, ele utiliza recursos para se destacar e assim conseguir mais passageiros.

Carlos é um dos 1350 taxistas cadastrados que compõem a frota de táxi da cidade de Feira de Santana, localizada a 100 km de Salvador. A cidade, conhecida como a Princesa do Sertão, dispõe de 70 pontos oficiais de táxi e duas entidades representantes da categoria: Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Feira de Santana (SINCAVER) e Associação dos Taxistas de Feira de Santana (ASTAFS).
Atualmente, a bandeirada na cidade está custando R$4,90. Colocando em prática este valor, uma corrida da rodoviária até o Mercado de Arte fica por R$ 10,00. Já do Mercado de Arte até o Bairro do Tomba fica em torno de R$25,00 a R$30,00.
APLICATIVOS REGULAMENTADOS
Em dezembro de 2017, a prefeitura da cidade regulamentou o uso de aplicativos no Serviço de Transporte Individual de Passageiros por Táxi (STIP) conforme Decreto nº 10.576, 29/12/17. A iniciativa tem como objetivo melhorar o atendimento aos usuários e reduzir o valor da tarifa, chegando até a 40% de desconto.

De acordo com o secretário municipal de Transportes e Trânsito de Feira de Santana (SMTT), Saulo Figueiredo, com o advento dos transportes privados que levam passageiros, é necessário que o taxista utilize a tecnologia a seu favor. “O que a gente tem incentivado hoje é que se use os aplicativos de táxi. Nós regulamentamos isso ano passado e oferecemos a possibilidade de haver a aplicação do desconto tarifário, por norma. Ou seja, alguns aplicativos fazem a corrida normal pelo taxímetro e oferecem desconto no fim da corrida”, afirma.
Entre os aplicativos, os mais conhecidos no município são: Táxi Fsa, Fone Táxi e Alô Táxi. Para o taxista e diretor da cooperativa Alô Táxi, Emílio Pimenta, a utilização de aplicativos vem facilitar o pedido de corrida feito pelo usuário, além de beneficiar o taxista. Já que o mesmo pode receber o aviso da corrida em qualquer lugar através do celular sem ficar preso ao táxi, como era com a utilização do rádio.
“Antes era só pelo rádio. Surgiu a oportunidade do aplicativo e decidimos inovar. Então os mesmos clientes que ligavam pelo rádio, agora enviamos a corrida pelo aplicativo. Oferecemos também 20% de desconto nas corridas a partir de R$10,00 e cupons que ficam disponíveis em uma revista de bairro aumentando o desconto para 30%. Se a gente não fizer isso, não criar ferramentas que vão acompanhar a tecnologia, ficamos para trás”, afirma.
A agente de saúde, Jussara dos Santos, utiliza aplicativos de táxi e de veículo particular. Para ela, o taxista que une simpatia, como forma de tratamento ao cliente, com os meios digitais consegue se destacar. “Tanto aplicativos regulamentados ou não, o custo benefício da viagem é um fator importante, o que torna esses aplicativos fundamentais para o dia a dia. Os aplicativos de táxi não têm a mesma frequência de uso que os da concorrência, mas em relação aos preços conseguem competir no mesmo nível”.
SELO QUALYTÁXI
Outra novidade também para os taxistas da cidade foi a inserção da Certificação Qualitáxi, um selo de qualidade que traz como proposta estimular a requalificação no SPIT, oferecendo qualidade no atendimento e preços mais justos, conforme Decreto 10.576/17.
Para receber o selo, o taxista precisa atender alguns pré-requisitos: possuir carro com idade de, no máximo, 5 anos; estar em dia com a vistoria anual; utilizar algum aplicativo de táxi; ter realizado o curso de qualificação. O curso de 37 horas é voltado para taxistas que possuem vínculo com o SEST-SENAT, tendo a oportunidade de frequentar os cursos e outros serviços ofertados.
O secretário da SMTT afirma que é uma forma do taxista apresentar um serviço diferenciado, ganhando visibilidade na sociedade. “Acompanhamos a população brasileira, de um modo geral, elogiando muito os serviços de transporte privado de passageiros por aplicativos. As pessoas falam principalmente na qualidade do serviço, principalmente do trato. Seja o estado de conservação do veículo, o oferecimento de uma água, doce, uso do ar condicionado ou não, aquela atenção do condutor estar bem vestido, o tratamento cortês com o passageiro. Então, quando criamos a certificação, imaginamos do poder público municipal dizer à sociedade que aquele número x de taxista atende esses pré-requisitos”, pontua.
É o caso dos taxistas da Alô Táxi, empresa que conta com 80 cooperados. “Cerca de 50% dos nossos cooperados já possuem o selo Qualitáxi. O curso é rápido, mas possibilita uma visão bem ampla sobre a qualidade no serviço prestado aos clientes”, frisa o diretor Pimenta.

Atenção com os passageiros, roupas adequadas para o trabalho, descontos nas corridas são algumas das maneiras para atrair a clientela. Mas os profissionais da área precisam se atentar aos cuidados com seus veículos, pois a vistoria anual obrigatória da frota de táxis autorizados em Feira de Santana, que é realizada no pátio da SMTT, acontecerá entre setembro e novembro deste ano e a tarifa do Documento de Arrecadação Municipal (DAM) será de R$10. A data ainda será definida.




