Por Adriano Rios
Lá se vão seis meses desde que o Ei, Táxi foi lançado em Pernambuco. Neste período, tenho frequentado Recife e estado com taxistas da cidade e da região, todos os meses. Mais ainda, passei a manter contato quase que diário com os profissionais pernambucanos. Tem sido uma escola, ou melhor, mais uma sala de aula, pois tenho aprendido sobre o dia a dia dessa gente, seus problemas, suas expectativas e suas conquistas. Tem sido enriquecedor!
Pernambuco sempre esteve como primeira opção no plano de expansão da empresa. Talvez pelas características e proximidade dos números entre Salvador e Recife. Duas capitais do Nordeste, a primeira com 7 mil e a segunda com 6 mil táxis, que se assemelham também pela cultura, pela música, pelas belezas naturais e arquitetônicas, sem falar das histórias das cidades centenárias e da paixão pelo futebol. Sim, tudo fazia, como fez sentido.
Outro aspecto semelhante percebido entre os profissionais baianos e pernambucanos, é a disputa que existe na cabeça de alguns taxistas e a perda da oportunidade em se construir uma categoria com unidade. Existe um jargão entre a classe que infelizmente parece verdadeiro e não deveria ser: “taxista não é unido”.
Quando o presidente do Sindicato dos Taxistas de Pernambuco (SINDITAXI-PE), Flávio Fortunato, ligou-me para contar que havia tido sucesso nas eleições que lhe colocariam à frente da entidade nos próximos quatro anos, não demorou para perceber que havia nele muita vontade em trabalhar. Evidentemente que ele não tinha uma bola de cristal para saber como estaria a sua administração nesse momento. A sua certeza era, apenas, de que iria arregaçar as mangas e tentar fazer algo que ajudasse seus pares.
Nesse período, conheci outros taxistas que também demonstram vontade em trabalhar pela categoria como o presidente da Associação dos Taxistas Condutores Auxiliares de Pernambuco (ATCAPE), Lúcio Mauro.
A citação dessas figuras não é objetivando colocá-las em lados opostos, de maneira nenhuma. O que se quer aqui é chamar a atenção do taxista, seja ele titular ou não, que a classe só terá êxitos se houver compreensão de que é agregando que se constrói.
Sou testemunha do que se tem trabalhado dentro do SINDTAXI-PE em prol do taxista. Não tenho procuração para advogar para ninguém, nem é o nosso objetivo, mas é preciso reconhecer e valorizar o esforço das pessoas. Ainda não tive a oportunidade de acompanhar mais de perto os projetos da ATCAPE, mas, as primeiras iniciativas revelam que coisas positivas podem estar por vir.
Então, não cabe taxistas “atirando pedra na vidraça” com a simples intenção de desagregar, desconstruir e tentar de alguma forma manchar a imagem das pessoas. O bacana é apresentar ideias, tornar-se um voluntário das causas coletivas, ter maturidade para avaliar as questões sem escolher um lado. Aliás, é bom que entendam de uma vez por todas que só existe um lado, o lado do taxista.
É preciso aproveitar o momento para construir.




