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Não adultere seu combustível – Crônica Por Conrado Matos

Você sai de um relacionamento conjugal conflituoso e resolve fazer análise para tentar se resolver, ou seja, melhorar. Vem sentimento de perda e de separação, passa a viver na solidão, não se alimenta bem e só pensa no seu relacionamento que infelizmente não deu certo.

Sei o quanto uma pessoa deve sofrer quando ama alguém e se separa. Cada um vai batendo na tecla do sentimento de culpa e começa a se perguntar: onde foi que eu errei? Será que tive uma decisão correta ao me separar? Esses sentimentos vão martelando dia e noite. Aí alguém decide viver em vários relacionamentos casuais para preencher o seu vazio angustiante. Resolve namorar várias mulheres ao mesmo tempo. Uma semana com uma e na outra semana com outra. Não consegue se realizar com nenhuma mulher, porque só pensa na ex-companheira.

Agora, fazendo análise para se livrar do sofrimento o que poderá ocorrer na autoestima durante essas aventuras mundanas. Isso pode contaminar a sua própria análise. Sigmund Freud quando sabia que um dos seus analisantes te procurou para se analisar por motivo de uma separação amorosa, o mesmo alertava o analisante que durante seu tempo de análise evitasse se envolver em relação amorosa, como meio do analisante ficar focado apenas nos seus objetivos pessoais. Não quer dizer que Freud era determinante para impedir que o analisante não arranjasse alguém para se relacionar. A questão é que durante o percurso da análise é importante que o analisante sinta bem o luto, a perda e a falta. Quando alguém tenta colocar um objeto externo para recalcar e abafar ou encobrir seus conflitos, poderá deixar de olhar com maturidade para suas causas emocionais e ficar sem se analisar de uma forma mais aproveitável. Sentir o luto é um passo para um dia se livrar dele. Sabe o que é sentir dor para acabar com dor. É se esvaziar para simplesmente existir como sujeito mais amadurecido. Aí quem sabe se as suas escolhas não serão mais frutíferas.      

Quando uma pessoa sai de uma relação, na maior parte, sai decepcionada, com baixa autoestima e bastante carente, sujeita a se envolver com vários relacionamentos casuais para superar suas carências. Não estou dizendo aqui que alguém não deva ter outra pessoa, mas namorar primeiro com sua análise até o equilíbrio e o amadurecimento surgir é mais orientado.

Ficar adulterando seu combustível com vida mundana não é coisa boa para alma. Viver com um e com outro é vida mundana. Contamina a terapia e o seu desenvolvimento pessoal. Portanto, não adultere seu combustível porque seu motor pode quebrar de vez.

Conrado Matos - Psicanalista

 

 

 

 

Conrado Matos

Psicanalista, Poeta, Filósofo e Escritor.

Instagram: @ConradoMatosPsicanalista

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4 comentários em “Não adultere seu combustível – Crônica Por Conrado Matos”

  1. Gildete Rocha

    Existe Sofrimento de Ambos, numa Separação!! É Necessário uma Boa Dose de Autoestima, para não se perder em Outros Braços e ficar se culpando de atos Impensados!! Todo Ser Humano tem Suas Reservas Emocionais, que vão Ajudar, na Recuperação de um Desfecho Amoroso.
    Parabéns, Conrado!!! Linda Crônica!! Abraços.

    1. Conrado Matos

      Obrigado Gildete Rocha pela sua colaboração aqui no meu texto neste respeitado jornal. Você sempre acrescentando excelentes dicas e observações. Meu fraterno abraço.

  2. Licia Carvalho

    Perfeito! Parabéns pelo artigo.
    Infelizmente muitas pessoas se deixam levar pelo rancor e raiva e com isso procuram outros relacionamentos ou por vingança ou carência.

    1. Conrado Matos

      Grato Lícia Carvalho pela apreciação e colocação acerca do texto. É com satisfação ver aqui seus comentários. Bela explanação suas reflexões. Parabéns por acrescentar. Conhecimento é sempre bom. Meu abraço fraterno.

Comentários encerrados.

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