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Editorial: A síndrome do “fui eu que consegui”

todo-poderoso
Foto: reprodução de geracaojosac.wordpress.com

 

No Brasil, é costume do cidadão adotar um comportamento de subserviência em relação a membros da gestão pública. As pessoas tendem a enxergar gestores ou legisladores públicos como alguém que lhe presta um favor.

 

Diferentemente de outros povos, o brasileiro vê a figura pública como um salvador da pátria e por isso desenvolve uma relação onde os valores são invertidos. Ao invés da representante público reconhecer o seu dever perante a sociedade e praticar aquilo que lhe foi confiado que é gerir a máquina de forma que atenda aos anseios do povo, o papel se inverte e quem agradece como se estivesse recebendo benesses é o cidadão.

 

Esse mau costume também dar espaço para relações não muito democráticas, que, geralmente, favorecem os desvios de condutas e até corrupção.

 

Entre os taxistas, não é de agora que se vê um representante da classe agradecendo por algo que foi feito pela gestão municipal ou pelo poder legislativo, por exemplo, em prol da categoria. Essa conduta é antiga e, normalmente, costuma ter validade até enquanto se falam a mesma língua.

 

O fato novo é como a coisa se acirrou entre os próprios taxistas. Agora, as notícias que surgem de alguns representantes vêm acompanhadas da expressão “fui eu que consegui” e o embate começa entre representantes e grupos de taxistas que apoiam A ou B.

 

Não se quer aqui desmerecer a iniciativa daquele que vai buscar por alguma melhoria. Evidentemente que não! O problema é que a categoria precisa enxergar além do que se ver.

 

No caso do segmento de táxi, é papel do ente público municipal viabilizar melhores condições de trabalho para os profissionais que atuam neste segmento. Então, entende-se que os gestores da pasta devam elaborar um plano de ação que atendam demandas já conhecidas e aquelas que surgirão com o desenvolvimento da cidade.

 

Oficializar um reajuste de tarifa, estabelecer o regulamento da categoria, reformar pontos de táxis, organizar filas em grandes eventos e no dia a dia ou comunicar essas ações para a classe e para a população são todas tarefas municipais que devem ser feitas sem que alguém tenha que bater na porta pra pedir. Isso nada mais é do que um dever a ser cumprido.

 

Agora, se alguém, numa reunião, inventar a roda, aí sim, tira-se o chapéu para quem conseguiu. No mais, é só autopromoção e “orgasmo” com o dinheiro público.

 

A relação digna e democrática seria se o gestor público trabalhasse e prestasse contas sem achar que está fazendo favor. Enquanto que ao cidadão, caberia cobrar, fiscalizar e parabenizar quando for o caso, mas sem bajulações.

 

Além do mais, ninguém está de cuia nas mãos pedindo esmolas. Toda verba destinada a custeio ou investimento público sai do bolso da população através dos escorchantes impostos e das dezenas e centenas de taxas criadas para sustentar a perdulária máquina pública brasileira.

 

 

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2 respostas

  1. Muito bom Licia você comentar sobre o maravilhoso artigo do Editorial do Jornal Ei Táxi. Mostra-se uma boa leitora. Abraço.

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